Bovespa fecha em alta, mas tem pior trimestre desde 1995

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) avançou nesta quinta-feira, apoiada no salto das ações da estatal de energia Eletrobras, mas amargou seu pior desempenho para um primeiro trimestre em 18 anos. Apesar do alívio recente, o índice acumulou queda de 1,87% em março e de 7,55% no trimestre, no pior resultado para os três primeiros meses de um ano desde 1995.

"Foi ruim, mas vale lembrar que não foi um período catastrófico para todo mundo", disse o gestor Marc Sauerman, da JMalucelli Investimentos em Curitiba. "Quem mais sofreu foram as empresas de Eike Batista e Vale, que têm peso grande no índice."

A desconfiança do mercado com as perspectivas para as companhias do grupo EBX, de Eike, levaram a petrolífera OGX a amargar queda de 47,3% no trimestre e a mineradora MMX a afundar 50,3% no período.

Já a preferencial da Vale acumulou queda de 18,7% no trimestre, em meio à disputa com o governo sobre o pagamento de 4 bilhões de reais em royalties.

Preocupações com a economia brasileira pesaram nos negócios no período, segundo analistas, diante de crescentes pressões inflacionárias e intervenção estatal no setor privado.

"Se tirar o risco de ingerência do governo e a inflação começar a ceder, você tem uma chance grande de reação na Bovespa", disse o economista Guido Chagas, da Humaitá Investimentos em São Paulo. "Mas ainda não apostaria todas minhas fichas numa recuperação já em abril... A partir de maio, quando você começar a ver uma postura mais amigável do governo, então você deve ter uma perspectiva melhor", acrescentou.

Além das incertezas domésticas, o ambiente externo também deve continuar no radar de investidores, com destaque para a crise da dívida na zona do euro.

Profissionais de mercado também citavam preocupações de que uma eventual realização de lucros em Wall Street - cujos índices seguem próximos das máximas históricas - pressione também o mercado brasileiro.

"Está difícil prever o comportamento da bolsa porque está difícil fazer previsão de cenários em geral", disse Pablo Spyer, um diretor na Mirae Asset Securities em São Paulo. "Esse é um ano para apostar em small caps, empresas mais ligadas à demanda interna, que têm caráter mais defensivo. Para fugir da volatilidade, a saída é olhar para setores como consumo, saúde, educação", acrescentou Spyer.

Eletrobras dispara

Nesta sessão, as ações da Eletrobras tiveram a maior alta diária em quase 4 meses, após a estatal de energia manter o pagamento de dividendos, apesar de ter amargado prejuízo histórico no quarto trimestre.

A ação preferencial classe B da Eletrobras saltou 16,19%, a R$ 12,70, enquanto a ordinária teve alta de 11,84%, a R$ 6,99.

Por outro lado, as blue chips fecharam o dia em queda. A preferencial da Vale caiu 1,16%, a R$ 33,24; a da Petrobras cedeu 0,38%, a R$ 18,35. OGX perdeu 3,35%, a R$ 2,31.

Marfrig liderou as perdas do Ibovespa, caindo 5,17%, a R$ 8,44. O prejuízo da empresa de alimentos se aprofundou no quarto trimestre de 2012, para R$ 284,2 milhões.

O giro financeiro da Bovespa nesta véspera de feriado foi de R$ 6,96 bilhões, abaixo da média diária de R$ 7,5 bilhões em 2013. No exterior, o dia foi positivo para os principais mercados acionários globais, na medida em que os bancos em Chipre reabriam de modo relativamente calmo após o controverso resgate para a ilha.