Ações da Oi ganham fôlego e fecham em alta após prévia do resultado de 2012

Para analistas, ainda falta transparência no processo de troca de comando da empresa

Após a turbulência com os rumores e a confirmação da saída do presidente da Oi, Francisco Valim, as ações preferenciais da companhia ganharam fôlego nesta quarta-feira (23) e fecharam o pregão com valorização de 3,37%, cotadas a R$ 8,28. Apesar da alta, a perda no acumulado da semana é de quase 8%. Segundo analistas, a valorização foi motivada por uma prévia, não auditada e divulgada  na noite desta terça-feira (22), dos resultados da companhia no ano passado. 

Nos dados parciais anunciados pela Oi, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 2012 foi de R$ 8,7 bilhões, frente à meta de R$ 8,8 bilhões estipulada no começo do ano pela diretoria. Já a receita líquida de serviços, na qual não está incluída a venda de aparelhos, foi de R$ 27,5 bilhões, em comparação à projeção de R$ 27,3 bilhões. O endividamento registrado no fim de dezembro foi de R$ 25 bilhões, ante estimativa de R$ 24,9 bilhões anunciada em abril de 2012.

A Oi é controlada pela Telemar Participações, que detém 56,45% de seus ativos, e atualmente ocupa a última posição em participação de mercado entre as grandes companhias de telefonia que operam no país. Valim estava no cargo desde junho de 2011, mas as especulações dão conta de que o grupo controlador não estaria satisfeito com a sua gerência e a demora no cumprimento das metas estipuladas. 

Transparência e resultados    

Segundo Ricardo Correa, diretor da correta Ativa, o resultado preliminar do quarto trimestre de 2012, programado para sair somente em 1º fevereiro, foi bem recebido pelo mercado. Também pesou a favor da empresa de telefonia a confirmação da política de pagar aos acionistas R$ 1 bilhão em dividendos. Para poder realizar essa distribuição, como determinado pela própria companhia, a dívida líquida da empresa não poderia ser superior a três vezes sua geração de caixa. Segundo os dados preliminares, o indicador ficou em 2,87.

"No resultado, a Oi não alcançou algumas metas, mas o mercado já esperava isso tendo em vista o desempenho nos outros trimestres do ano. A dívida líquida do Ebtida ficou dentro do pré-requisito para pagar os dividendos de mais de R$ 1 bilhão aos acionistas", destacou Correa. 

O especialista, porém, entende que no geral a falta de informações da companhia sobre a troca de comando traz consequências negativas no mercado financeiro. "Não se sabe quem vai entrar no lugar do Francisco Valim. Um interino (José Mauro Mettrau Carneiro da Cunha) assumiu o cargo, mas ninguém sabe se ele manterá o plano estratégico e se conseguirá alcançar as metas estipuladas", analisa o diretor da Ativa. "É preciso que a empresa traga maior transparência aos investidores. Essa incerteza é que acaba pressionando os papéis".

"Exagero"

Os especialistas da área de análise da XP Investimentos para o setor de telecomunicações também avaliaram que os resultados da Oi vieram acima da expectativa do mercado. Para a equipe, como o setor passou por momentos de repreensão no ano passado - quando a Anatel determinou que três das quatro maiores empresas de telefonia tinham que suspender a venda de novos pacotes - há uma tendência de exagero do mercado: 

"Os resultados não foram ruins, inclusive, foram melhores do que o mercado esperava. Mas a reação dos investidores foi exagerada. A troca de comando na empresa é uma notícia negativa, mas não era suficiente para uma queda tão acentuada", ponderaram.

 Segundo os economistas da correta, a expectativa ao longo da semana é de recuperação das ações. "No fim da semana, os ativos devem sofrer correção no valor, até porque as pessoas vão se adaptar a essas novas notícias relativas à Oi", projetaram.