BNDES aposta no crescimento em 2013  pelas consultas recebidas e aprovadas

Os esforços do governo para alavancar a indústria brasileira chegaram aos cofres do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que desembolsou 100 bilhões para o setor apenas no ano passado. O movimento, no entanto, parece ainda não ter surtido efeito: a produção da indústria nacional registrava queda de 2,6% até novembro, quando apresentou novo recuo de 0,6%.

O desembolso do BNDES para a indústria corresponde, junto com os investimentos em infra-estrutura, a 65% dos R$ 156 bilhões investidos pelo banco no ano de 2012. De acordo com o seu presidente, Luciano Coutinho, o que o banco investiu no setor industrial correspondeu a cerca de 20% de todo o dinheiro investido na indústria brasileira. 

As previsões para o triênio 2013/16 são de crescimento de 28,9% em comparação com o triênio de 2008/11. Porém, para 2013, Coutinho não quis fazer previsões. "Tudo depende de uma série de previsões em função da agenda de debêntures e compartilhamento de operações com o mercado. Mas queremos mais", disse.

Ao comentar o desempenho da instituição em 2012 para o setor industrial, ele destacou que o valor desembolsado "é uma parcela relevante". Dentro da indústria, os maiores desembolsos ficaram para Química e Petroquímica, com R$ 8,5 bilhões, e Material de Transporte, que conseguiu financiamentos de R$ 7 bilhões.  

Coutinho - em entrevista na qual apresentou o balanço do banco - destacou ainda a importância dos desembolsos nas áreas da Formação Bruta de Capital Fixo, que representa os níveis de investimento da economia. Como mostrou em um gráfico, desde 2000 a quantidade de financiamento do banco acompanha os níveis de investimentos do país, mostrando a importância dos desembolsos para a economia nacional. "A expectativa é que o setor retome o dinamismo ainda em 2013", afirmou. 

Somente em dezembro do ano passado os investimentos corresponderam a R$ 34,2 bilhões, outro recorde do banco. Os repasses para os Estados, em investimentos de infra-estrutura cresceram 16%, ultrapassando o patamar de 40 bilhões. 

De acordo com o presidente, o conjunto de medidas adotadas pelo Governo Federal para estimular o crescimento do país, tanto do setor público quanto do privado, foram grandes propulsores no aumento dos financiamentos do banco. Isto ocorreu, por exemplo, como os repasses aos governos estaduais.

Entre os investimentos feitos ao setor público, na Infraestrutura os líderes foram os segmentos de energia elétrica - desembolso de R$ 18,9 bilhões - e Transporte Rodoviário - R$ 15,5 bilhões. Estes financiamentos aconteceram por repasses do "BNDES Estados", Proinveste e Propae, que financiam investimentos nos estados. Por estes programas e projetos o banco repassou no ano passado R$ 11 bilhões. 

Coutinho destacou a importância do investimento no setor público que movimenta toda a industria. "O setor de investimentos públicos em infra-estrutura é um grande propulsor de investimentos industriais. A abertura de linhas da Proinvest este ano foi um fator importante para o aumento destes investimentos públicos", afirma Coutinho. Abrir estradas, por exemplo, exige adquirir produtos de diversos fornecedores.

Desempenho "sem precedentes"

O desempenho do banco, considerado “sem precedentes”, deverá se repetir em 2013, acredita o seu presidente. Isto porque o número de consultas e aprovações, no ano passado, aceleraram 60% e 58% respectivamente. A partir de 2013 poderá começar a ocorrer os desembolsos relativos a estes financiamentos solicitados. “Os indicadores refletem a forte disposição de realização de investimentos por parte do empresariado brasileiro”, aponta uma nota expedida pela assessoria do banco. 

O incremento nas consultas e nas aprovações ocorreu em todos os setores financiados pelo Banco. Na Indústria, o crescimento das consultas foi liderado pelos segmentos extrativo (R$ 32,2 bilhões), química e petroquímica (R$ 23,3 bilhões, onde se enquadram projetos de investimento voltados para o pré-sal), material de transporte (R$ 15,4 bilhões) e metalurgia (R$ 11 bilhões). 

Na infraestrutura, o destaque foi energia elétrica, com consultas de R$ 29,5 bilhões e aprovações de R$ 38,6 bilhões, seguido por transporte rodoviário (R$ 19,6 bilhões em consultas), outros transportes (R$ 17,6 bilhões) e telecomunicações (R$ 9 bilhões).

Já os volumes liberados para as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) também foi o maior da história do Banco, atingindo R$ 50,1 bilhões. Os desembolsos para as empresas de menor porte representaram 32% do total liberado pelo BNDES no ano passado. Foram realizadas, no período, 990 mil operações com MPMEs, o que representa 96% do total efetuado pelo Banco.