Baixa produção da Alemanha impede crescimento europeu

A poderosa indústria cresceu apenas 0,1% em dezembro

Com os últimos dados da economia europeia sendo revelados em janeiro, o ano de 2012 se mostra como um período para se esquecer no continente. Nesta segunda-feira (14), foram divulgados os índices de produção industrial para o ano de 2012, que apontou queda acumulada de 3,7% na zona do euro, acima da expectativa do mercado. A Alemanha, potência da região e que resistia à crise internacional, parece estar sucumbindo aos problemas financeiros do velho continente: sua poderosa indústria cresceu apenas 0,2% em novembro. A previsão era de aceleração de 1%. 

"São números trágicos", afirma o economista Fernando Sarti, diretor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE/Unicamp). Segundo ele, o desempenho na Zona do Euro era esperado, porém a indústria alemã, grande propulsora da economia europeia, decepcionou. Os números mostram um futuro sombrio para os países. 

"Cerca de 60% do comércio é feito dentro dos países e a Alemanha é a maior compradora dos países mais pobres da Europa, como Portugal, Grécia e Espanha. Só a recuperação da economia germânica levará estes países a melhorar", explica.

A busca por outros destinos para exportação, fora do continente, e o fortalecimento do mercado interno alemão são esperadas para que a sua economia volte a crescer, impulsionando as outras nações da zona, afirma Sarti. 

Alemanha: crédito e demanda

Durante os primeiros anos da zona do euro, quando os países mais pobres do continente começaram a investir em infra-estrutura, a Alemanha não só forneceu as máquinas, equipamentos e produtos necessários nas construções. Seus bancos foram responsáveis também pelo crédito necessário para expandir o crescimento.

Porém, com o agravamento da crise financeira e a dificuldade destes países de pagar estes créditos acumulados, a Alemanha se viu em uma sinuca de bico: ao cobrar medidas de austeridade para viabilizar os pagamentos, seus principais compradores acabaram tendo poder de compra reduzido, diminuindo assim, a demanda para sua indústria. 

"Definitivamente, as políticas de austeridade altamente promovidas pelo governo alemão, forçando os bancos, acaba sendo ruim no ponto de vista produtivo. O lado financeiro está exigindo das economias um esforço draconiano para honrar seus compromissos e a redução dos gastos necessária para atingir este objetivo acaba prejudicando o país", finaliza