São Paulo e Rio de Janeiro perdem participação no PIB do país

Considerando os 23 municípios com participação de ao menos 0,5% do PIB brasileiro, entre 2009 e 2010, Vitória (ES) e São Bernardo do Campo (SP) aumentaram suas participações em 0,1 ponto percentual cada um, enquanto as principais perdas foram de São Paulo (-0,3 p.p.) e Rio de Janeiro (-0,2 p.p.). 

Os principais movimentos observados em 2010 estão vinculados às commodities. Enquanto alguns municípios tipicamente agrícolas experimentaram perdas de participação relativa, por conta dos baixos preços das commodities agrícolas, principalmente os grandes produtores de soja, os produtores de minérios, especialmente o minério de ferro, tiveram ganhos de participação.

Na análise do PIB per capita, os municípios com atividades de produção e beneficiamento de minérios também se destacaram.

Em 2010, seis capitais concentravam aproximadamente 25,0% da geração de renda do país, dos quais cinco se caracterizavam pela concentração da atividade de serviços (intermediação financeira, comércio e administração pública).

No que tange ao valor adicionado bruto na agropecuária, destacaram-se municípios produtores de café, trigo, feijão, algodão herbáceo e frutas. Cristalina (GO) subiu da 11ª colocação em 2009 para a primeira em 2010. Na indústria, 12 municípios respondiam por aproximadamente 25,0% do valor adicionado, com 14,8% da população nacional. Já no setor de serviços, com 40 municípios, chegava-se à metade do valor adicionado bruto dos serviços e a 28,5% da população.

Essas e outras informações constam da publicação do Produto Interno Bruto dos Municípios 2010, resultado de projeto desenvolvido pelo IBGE em parceria com os órgãos estaduais de Estatística, Secretarias Estaduais e a Superintendência da Zona Franca de Manaus – Suframa. 

Entre os municípios com pelo menos 0,5% do PIB nacional, aumenta a participação dos produtores de minérios

Em Vitória (ES), a variação positiva na participação deveu-se principalmente à atividade extrativa mineral. Em 2010 ocorreu forte recuperação da produção de pelotas de minério de ferro, fato que influenciou, também, no aumento de participação do segmento energia.

Em São Bernardo do Campo (SP), destacava-se a indústria automotiva e demais ramos industriais ligados a essa cadeia produtiva, além da indústria de artigos de perfumaria e cosmético. Esses segmentos foram os principais responsáveis pelo ganho de participação do município.

Em São Paulo, os segmentos indústria de transformação comércio e serviços de manutenção e reparação foram os principais responsáveis pela perda de participação.

A queda de participação do Rio de Janeiro ocorreu principalmente em função da indústria de transformação, no segmento fabricação de máquinas e equipamentos utilizados na extração mineral e na construção. O município do Rio de Janeiro também perdeu participação devido ao ganho da atividade extrativa mineral, atividade que não é típica da capital carioca.

Barueri (SP) perdeu participação em 2010 principalmente em função dos segmentos comércio e serviços de manutenção e reparação e indústria de transformação. Segundo as Contas Regionais do Brasil, em 2010, os serviços geravam 93,2% da economia do Distrito Federal. Nesse ano, o segmento que mais pesava era a administração, saúde e educação públicas e seguridade social, com 54,4%, e perdeu 0,9 ponto percentual de participação em relação ao ano anterior.

A perda de participação de Duque de Caxias (RJ) ocorreu devido, principalmente, à queda do segmento comércio atacadista especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo.

Seis capitais concentravam 25% da geração de renda do país

Em 2010, a renda gerada por seis municípios (13,7% da população) correspondia a aproximadamente 25,0% de toda a geração de renda do país. Agregando a renda de 54 municípios, alcançava-se, aproximadamente, a metade do PIB e 30,7% da população. Já os 1.325 municípios que pertenciam à última faixa de participação relativa respondiam por, aproximadamente, 1,0% do PIB e concentraram 3,3% da população. Nessa faixa estavam 75,0% dos municípios do Piauí, 61,4% dos municípios da Paraíba, 50,9% dos municípios do Rio Grande do Norte e 48,9% dos municípios do Tocantins.

Os seis municípios responsáveis por aproximadamente 25% do PIB em 2010 eram todos capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e Manaus) e tradicionalmente identificados como concentradores da atividade de serviços, exceto Manaus, cuja economia tinha equilíbrio entre as atividades industriais e de serviços.

Excluindo-se os municípios das capitais, 11 municípios destacaram-se por gerarem individualmente mais de 0,5% do PIB nacional, agregando 8,6% da renda gerada no país. Esses municípios, com grande integração entre a indústria e os serviços, eram: Guarulhos (SP), Campinas (SP) e Osasco (SP), que geravam, individualmente, 1,0%; São Bernardo do Campo (SP), 0,9%; Betim (MG), 0,8%; Barueri (SP), Santos (SP), Duque de Caxias (RJ) e Campos dos Goytacazes (RJ), que geravam 0,7% individualmente; São José dos Campos (SP), 0,6%, e Jundiaí (SP), 0,5%.

Dos 449 municípios que compunham a região Norte, o agregado dos seis municípios com as maiores economias alcançava aproximadamente 50% de toda a renda gerada na região. Já entre os 1.794 municípios nordestinos, 1,2% (21 municípios) agregava metade da renda regional. O mesmo se dava com 27 dos 1.188 municípios da região Sul e 15 dos 1.668 municípios do Sudeste. No Centro-Oeste, Brasília (DF) gerava 42,8% da renda da região, que contava ao todo 466 municípios. A análise da concentração indicou que a média do PIB dos 10,0% dos municípios com maior PIB geraram 96,8 vezes mais renda que a média dos 60,0% dos municípios com menor PIB.

Produção e beneficiamento de minérios caracterizam vários dos municípios com mais altos valores de PIB per capita

Os municípios com os maiores valores de PIB per capita tinham em comum a baixa densidade demográfica. São Francisco do Conde (BA), com um PIB per capita de R$ 296,9 mil, abrigava a segunda maior refinaria em capacidade instalada de refino do País. Em Porto Real (RJ, R$ 290,8 mil), situava-se uma indústria automobilística. Louveira (SP, R$ 240,0 mil) concentrava centros de distribuição de grandes empresas e, em 2010, passou da quinta para a terceira posição. 

Confins (MG, R$ 239,8 mil) que ganhou posições desde 2006 com a transferência da maior parte dos voos do aeroporto em Belo Horizonte para o aeroporto internacional situado no município, manteve a quarta posição, enquanto Triunfo (R$ 223,8 mil), na região metropolitana de Porto Alegre, sede de um polo petroquímico importante, passou da terceira para a quinta colocação. Anchieta (ES, R$ 175,2 mil) caracterizava-se pela pelotização e sinterização de minério de ferro. Alto Horizonte (GO, R$ 167,4 mil) produzia e beneficiava sulfeto de cobre. Presidente Kennedy (ES, R$ 155,8 mil) e Quissamã (RJ, R$ 153,8 mil) eram municípios produtores de petróleo. Araporã (MG, R$ 148,0 mil), localizado na região do Triângulo Mineiro, tinha a maior hidrelétrica do seu estado, com capacidade instalada de 2.082 megawatts.

O menor PIB per capita, em 2010, foi R$ 2.269,82, verificado no município paraense de Curralinho. Esse município, localizado no arquipélago de Marajó, sustentava-se pela transferência de recursos federais: a administração pública participou com 61,0% do VAB total. Outras atividades importantes no município eram construção civil, pesca e agricultura extrativista. Em 2009, o município com menor PIB per capita era São Vicente Ferrer (MA).

Cristalina (GO) foi o município que mais gerou renda na agropecuária em 2010

Cristalina (GO) foi o que obteve o maior valor adicionado bruto (VAB) da atividade agropecuária no país, em 2010, R$ 624,1 milhões, ganhando participação em relação a 2009 e passando do 11º lugar para o topo da lista, graças à valorização dos preços dos principais produtos cultivados no município, especialmente café, trigo, feijão e alho. Em segundo lugar ficou Petrolina (PE), com R$ 620,4 milhões, que foi o maior produtor nacional de uva, goiaba e manga, em valor de produção, no ano. A seguir veio São Desidério (BA), o maior produtor de algodão herbáceo do país, com R$ 559,6 milhões.

Os maiores acréscimos na participação relativa do valor adicionado da agropecuária em relação ao ano anterior foram verificados nos municípios de Petrolina (PE) e Ipameri (GO). Em Petrolina, o aumento da produção de frutas e a valorização da uva levou o município a ter o maior valor de produção gerado por frutíferas. Em Ipameri, o ganho foi devido aos cultivos de café, cana-de-açúcar, alho e à criação de bovinos. Os maiores decréscimos na participação relativa ocorreram nos municípios mato-grossenses grandes produtores de soja - Sapezal e de Sorriso.

Indústria permanece concentrada: 12 municípios correspondem a 25% do valor adicionado

Em 2010, apenas 12 municípios concentravam aproximadamente 25,0% do valor adicionado bruto da indústria. Esse grupo concentrava 14,8% da população brasileira. Com 65 municípios, chegava-se à metade do VAB da indústria e a 28,6% da população. No mesmo ano, 2.354 municípios, com os menores VAB industriais, responderam por 1,0% do valor adicionado bruto da indústria e concentravam 8,4% da população. Esse quadro não se diferenciou muito do de 2009. No ranking dos municípios por participação relativa no valor adicionado da indústria, São Paulo (SP) se manteve como o principal polo industrial do país, com 8,2%. O Rio de Janeiro (RJ) veio em segundo lugar, com 2,5%.

As maiores variações positivas em relação ao ano anterior foram verificadas nos municípios de Parauapebas (PA) e de Itabira (MG) e deveram-se ao aumento da produção de minério de ferro. O crescimento de Joinville (SC) ocorreu em função de novas empresas instaladas. O município possuía indústria diversificada e era conhecido polo metalúrgico e de ferramentaria. A variação na participação relativa do município de Vitória (ES) deveu-se à recuperação da produção de pelotas de minério de ferro nesse ano, influenciada pela rápida expansão da demanda, a produção alcançou nível recorde.

Em 2010, 40 municípios concentravam 50% do valor adicionado dos serviços

Em 2010, com 40 municípios, chegava-se aproximadamente à metade do valor adicionado bruto dos serviços e a 28,5% da população. No mesmo ano, pode-se notar que 1.317 municípios, com os menores VAB dos serviços, que pertenciam à última faixa respondiam por 1,0% do VAB dos serviços e concentravam 2,8% da população. Os dois primeiros municípios no ranking foram São Paulo e Rio de Janeiro, como nos anos anteriores.

Realizando um corte nos municípios que representavam pelo menos 0,5% do VAB dos serviços do País, os maiores ganhos de participação em relação a 2009, no VAB dos serviços ocorreram em Recife (PE) e Fortaleza (CE). Recife sempre teve perfil econômico relacionado à atividade serviços. Em 2010, os segmentos de maior destaque foram: comércio, serviços médicos, serviços de informática e de engenharia, consultoria empresarial, ensino e pesquisa, atividades ligadas ao turismo. Fortaleza praticamente não possui zona rural, sendo o setor de serviços o principal ramo de sua economia, notadamente o comércio, o turismo e a prestação de serviços às famílias e às empresas.

Norte e Nordeste concentram municípios com grande dependência da administração pública

Dos 5.565 municípios brasileiros, 1.980 (35,6%) tinham mais do que 1/3 da sua economia dependente da administração, saúde e educação públicas e seguridade social. Em 2010, o peso do VAB da administração, saúde e educação públicas e seguridade social no PIB do Brasil foi de 13,9%. Municípios com grande dependência da máquina administrativa na sua economia estavam localizados nas regiões Norte e Nordeste. 

Três municípios apresentaram participação da administração pública em relação ao PIB superior a 70,0%, em 2010: Uiramutã (RR), 81,0%; Poço Dantas (PB), 71,4% e Areia de Baraúnas (PB), 70,9%. Entre as capitais, as que tiveram os menores pesos da administração pública foram Vitória (4,8%), São Paulo (5,8%), Curitiba (7,2%) e Manaus (9,3%) e os maiores foram: Brasília (DF), 48,4%, Macapá (AP) 42,3% e Boa Vista (RR) 40,1%.