Bolsas operam mistas com agentes de olho nos dados chineses 

As principais bolsas de valores mundiais não devem definir uma tendência com investidores avaliando dados econômicos divulgados na Ásia. Enquanto isso, na Europa, as bolsas operam de lado e o indicador futuro das bolsas norte-americanas aponta para uma abertura em queda.

Na Ásia, as principais bolsas iniciaram a semana em ligeira alta, sem grandes oscilações durante a sessão, em meio a especulações de que o governo chinês poderia lançar mão de novos estímulos em resposta a mais uma rodada de indicadores econômicos fracos na China. Com isso, a bolsa de Tóquio encerrou a sessão de segunda-feira em leve baixa de 0,03%. O índice Nikkei perdeu 2,28 pontos, a 8.869,37 unidades.

No Japão, o crescimento entre abril e junho registrou uma baixa, a 0,2%, contra 0,3% da estimativa inicial, anunciou o governo nesta segunda-feira. O resultado confirma a forte desaceleração do crescimento da terceira maior potência econômica mundial, cujo PIB avançou 1,3% entre janeiro e março.

Já a produção industrial chinesa desacelerou em agosto a seu nível mais baixo em mais de três anos, segundo dados oficiais divulgados no domingo, e que comprovam a tendência em queda da segunda maior economia do planeta. A produção de fábricas, oficinas e minas aumentou 8,9% em agosto, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, anunciou o Escritório Nacinal de Estatísticas. O dado é inferior aos 9,2% de julho, e pior desde que, em maio de 2009, a produção aumentou também 8,9%, em plena crise econômica mundial.

Por outro lado, o excedente comercial de China aumentou em agosto a US$ 26,7 bilhões, contra US$ 25,1 bilhões em julho, em um contexto de retrocesso das importações, informou o governo de Pequim.

“Essa sinalização de demanda chinesa mais moderada puxa para baixo as bolsas europeias e o indicador futuro da bolsa norte-americana”, disse Octavio de Barros, diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco.

No ambiente europeu, a "troika", formada por credores internacionais da Grécia (UE, FMI e BCE), pressionou, este domingo, o governo grego para implementar um pacote de cortes bianual, mas ainda têm um "caminho a percorrer" antes de fazer um acordo para ajudar o país e mantê-lo na zona do euro.

Há pouco, o CAC-40, de Paris, operava com perdas de 0,12%, aos 3.514 pontos. E o DAX, de Frankfurt, valorizava 0,00%, aos 7.214 pontos. E o índice FTSE-100, de Londres, tinha queda de 0,03% aos 5.793 pontos.

Em Wall Street, o indicador futuro aponta para uma abertura em queda. Por lá, o Tesouro norte-americano anunciou no domingo que lançará uma oferta pública de venda por US$ 18 bilhões de suas ações na seguradora AIG, resgatada pelo Estado em setembro de 2008.

Por lá, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, arrecadou em agosto US$ 114 milhões para sua campanha eleitoral, superando pela primeira vez desde abril o rival republicano, Mitt Romney.Por aqui, o Ibovespa, deverá seguir em linha com o mercado externo.

Na agenda de indicadores brasileiros, destaque para o IPC-S de 07 de setembro de 2012 repetiu a taxa de variação da última apuração, 0,44%. Nesta apuração, cinco das oito classes de despesa componentes do índice apresentaram acréscimo: Alimentação (1,09% para 1,14%); Vestuário (-0,57% para -0,46%); Transportes (-0,04% para 0,01%); Educação, Leitura e Recreação (0,51% para 0,54%); e Comunicação (0,10% para 0,12%).

E segundo dados do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 10, pelo Banco Central (BC), a projeção dos analistas do mercado financeiro para o desempenho da economia brasileira em 2012 e 2013 apontaram divergências. Na medição, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional para 2013 permaneceu em 4,00%. Já para este ano, o prognóstico do PIB passou de 1,64% para 1,62%. A estimativa de inflação deste ano (IPCA) passou de 5,20% para 5,24%. Já para 2013, passou de 5,51% para 5,54%.

Para Barros, no mercado de câmbio, a maioria das moedas se desvaloriza em relação ao dólar, o que deve ser visto também para o real.