Produção industrial aumentou sem a ajuda dos incentivos fiscais do governo

Os bens de consumo duráveis tiveram o melhor desempenho  

A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos e o setor de Linha Branca promovida pelo governo para estimular as indústrias ainda não influenciou na produção, apesar da alta registrada na pesquisa de Produção Industrial Mensal (PMI), divulgada nesta quarta (1) pelo IBGE.

Os bens de consumo duráveis - que incluem os veículos e os produtos da Linha Branca - tiveram o melhor desempenho entre os quatro segmentos da indústria, com alta de 4,8% no período. O resultado foi obtido depois de duas quedas: em abril (-0,4%) e maio (-2,1%).  

Apesar dos números positivos, a redução do IPI ainda não pode ser apontada como motivo para esta elevação, acredita André Luiz Macedo, gerente de Coordenação de Indústria do IBGE. "A redução do IPI foi mais sentida nas vendas, não na produção. O que houve foi uma redução no estoque, que estava parado. É possível ver isso pelos números que mostram alta no licenciamento de veículos, por exemplo", afirmou. O aumento das vendas destes setores só será sentida nos próximos meses, com o esvaziamento dos estoques, acredita o analista. 

O item "Veículos Automotores", por exemplo, registrou alta de 3%, frente à queda de 3,2% do mês anterior. 

Caso o aumento das vendas destes setores continue, a produção só será sentida nos próximos meses, com o esvaziamento dos estoques, acredita o analista. 

Produção industrial cresce e interrompe ritmo de queda

Após três meses consecutivos de queda, a PMI registrou alta de 0,2% em Junho, quando comparado com o mês anterior. Apesar de apontar uma nova direção, a elevação ainda não representa uma grande mudança, já que na comparação com o mesmo mês de 2011, a queda é de 5,5%, a décima seguida e a maior desde setembro de 2009.

>> Produção industrial de junho tem queda de 5,5% em relação a igual mês de 2011 

"O resultado é positivo, mas está longe de reverter o ritmo de queda que vem acontecendo, ainda temos que ver o comportamento da indústria nos próximos meses, pois esta é uma variação pequena. Ainda não dá para dizer que há uma tendência de crescimento”, analisou Macedo.

Mantega: "ponto de virada"

O ministro Guido Mantega também comentou os dados divulgados. Segundo ele, a atividade “está dando uma virada, é um ponto de inflexão. Depois de vários resultados negativos, durante vários meses consecutivos, eu vejo que agora é um ponto de virada. Daqui para frente, nós vamos ter resultados melhores”, disse, ao retornar do Palácio do Planalto após reunião com a presidente Dilma Rousseff.

Precaução

O IBGE demonstrou precaução em relação à alta de junho. Isto porque, segundo Macedo, em uma análise mais detalhada dos números no último ano, há uma "ampla tendência negativa" na produção industrial."Ainda é um quadro instável, com amplo predomínio das taxas negativas. Quando se abre os índices, quando se faz o detalhamento do índice, ainda há predomínio de taxas negativas”, afirmou. 

Macedo destacou ainda que os Bens Intermediários (indústria de base, que incluem os setores siderúrgico, metalúrgico, petroquímico e de cimento), que respondem por 55% do índice também obtiveram variações negativas quando comparados com maio (-0,9%) e com o mesmo mês de 2011 (-4,5%). "Um dos fatores que acabou contribuindo para este resultado foram algumas paralisações técnicas que se acumularam no último mês, por exemplo, no setor extrativista", aponta.