BCE e Fed devem ditar ritmo às bolsas mundiais 

Investidores devem aguardar uma sinalização dos bancos centrais dos Estados Unidos e da União Europeia para definir uma tendência. Enquanto isso, as bolsas europeias operam em direções opostas e os índices futuros dos EUA apontam para uma abertura positiva.

Na Ásia, as bolsas fecharam em alta nesta terça-feira, com exceção importante das bolsas chinesas, que se descolaram novamente da tendência regional, fechando em queda e atingindo o nível mais baixo em mais de três anos, influenciadas por resultados fracos das companhias e por dúvidas sobre o crescimento do país. A Bolsa de Tóquio encerrou a sessão de terça-feira em alta. O índice Nikkei 225 ganhou 0,69%, aos 8.695,06 pontos.

Entre as divulgações corporativas, o grupo japonês Mitsubishi Heavy Industries (MHI) anunciou nesta terça-feira que praticamente dobrou o lucro líquido no primeiro trimestre do ano, apesar da rentabilidade ter sido afetada pela valorização do iene. Entre 1º de abril e 30 de junho, a empresa registrou lucro líquido de 18,8 bilhões de ienes (US$ 233 milhões), alta de 95,7%.

De acordo com Octavio de Barros, diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco, os agentes aguardam uma de sinalização de relaxamento monetário por parte dos bancos centrais dos Estados Unidos e da União Europeia.

Na agenda europeia, os números apresentados vieram mistos. Com isso, a inflação na Eurozona permaneceu estável em julho, a 2,4% em ritmo anual, informou a agência de estatíticas europeia (Eurostat).

Enquanto isso, o desemprego na Eurozona atingiu 11,2% em junho, maior índice histórico desde a criação da união monetária, em consequência da crise na Espanha, onde o resultado é o dobro da média europeia, informou a agência de estatísticas europeia Eurostat.

E o desemprego bateu recorde na Itália em junho e registrou uma leve alta na Alemanha. Na Itália, o índice atingiu 10,8% em junho, contra 10,6% em maio, apesar de uma leve queda entre os mais jovens, segundo os dados preliminares divulgados nesta terça-feira pelo Instituto de Estatísticas (Istat). Em contrapartida, na Alemanha, a taxa de desemprego, que estava em queda há vários meses, subiu de 6,6% em junho a 6,8% em julho, anunciou a Agência Federal para o Emprego.

No Velho Continente as bolsas operam sem direção definida. Em Londres, o índice FTSE 100 opera com perdas de 0,21% aos 5.681 pontos, o DAX, em Frankfurt, tinha alta de 0,41% aos 6.801 pontos; e em Paris, o índice CAC-40 desvalorizava 0,04% aos 3.319 pontos.

Em Wall Street, os investidores aguardam a divulgação do Rendimento Pessoal, dos Gastos Pessoais, o Índice de preços de cass S$P/CaseShiller e a publicação dos Índices Gerentes de Compras de Chicago.

Por aqui, o Ibovespa, deverá seguir em linha com o mercado externo. “Para a bolsa brasileira, esperamos ligeira alta”, disse Barros.

Abrindo a agenda de indicadores brasileiros, o Índice de Confiança de Serviços (ICS) da Fundação Getulio Vargas recuou 2,1% entre junho e julho de 2012, na série com ajuste sazonal ao passar de 123,1 para 120,6 pontos.

Entre as divulgações corporativas, o EBITDA (lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações) normalizado da Ambev (América Latina Norte + América Latina Sul + Canadá) no segundo trimestre de 2012 registrou aumento orgânico de 9,3% em relação a igual intervalo do ano passado, encerrando o período com R$ 2,9 bilhões.

Para Barros, no mercado de câmbio, as principais moedas mundiais ganham valor em relação ao dólar, com destaque para forte valorização do shekel israelense, refletindo aprovação de medidas de ajuste fiscal no país. “Para o real, esperamos valorização modesta”, finalizou o diretor.