Empresário espanhol diz que governo argentino forçou baixa de ações da Repsol 

Brasília - O presidente da empresa espanhola Repsol, que administra a petrolífera YPF, Antonio Brufau, disse hoje (17) que o governo da Argentina fez campanha para pressionar a redução dos preços das ações da companhia. Ontem (16), o governo argentino anunciou a expropriação da empresa em defesa do que chamou interesse público. A medida foi criticada pelas autoridades espanholas.

Brufau disse que a Repsol vai recorrer à arbitragem internacional e exigirá uma compensação pelas ações expropriadas. A indenização exigida, segundo ele, corresponderá aos valores investidos pelos acionistas. Pelos seus cálculos, algo em torno de US$ 46,55 por ação, representando um total de US$ 18,3 bilhões.

“A presidenta argentina [Cristina Kirchner] fez ontem um ato ilegítimo e injustificável, depois de uma campanha de acusações que pretendia derrubar as ações da YPF e permitir uma expropriação a preço baixo”, disse Brufau. “Esses atos não ficarão impunes”. De acordo com ele, a expropriação viola os princípios da igualdade de tratamento.

Brufau disse ainda que tentou se reunir com a presidenta da Argentina e ela evitou recebê-lo. De acordo com ele, durante sua gestão, a Repsol investiu mais de US$ 20 bilhões, dos quais US$ 15 bilhões na compra da YPF. Em defesa da expropriação, o governo da Argentina alegou que o espanhol já recuperou o que foi investido.

Pela proposta em discussão na Argentina, 51% das ações da empresa petrolífera serão expropriadas. O governo federal ficará com 26,06% e as regiões produtoras, com 24,99%. Os 49% restantes serão de responsabilidade das províncias (estados) onde a empresa atua.