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Setor calçadista pede competição justa com importados

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Em 2012, o setor calçadista espera manter o ritmo de crescimento no varejo alcançado no ano anterior - apesar de se dizer pressionado pela concorrência dos importados. Os calçados produzidos na Ásia são oferecidos no mercado a preços menores. Resultado: enquanto o faturamento do varejo aumentou 7%, de janeiro a novembro, a balança comercial do setor ficou negativa em 27,8%, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). 

Segundo a entidade, o resultado é fruto da redução de 13% no faturamento das exportações e do aumento de 40% no valor pago pelas importações. Na opinião de dirigentes do setor, para que esse quadro mude é preciso que sejam tomadas medidas de defesa comercial contra a concorrência desleal e também elevar o dólar para a faixa de R$ 2,15. 

"Queremos repetir os números do varejo de 2011. A diferença é que no ano passado os fabricantes pouco se beneficiaram do crescimento e, agora, esperamos mudar esse cenário com a diminuição das importações", afirma Heitor Klein, diretor executivo da associação. 

O parque calçadista brasileiro é formado por cerca de 8 mil fábricas, das quais 73% são consideradas microempresas. Os calçados importados são oriundos, em sua maioria, do Vietnã, Indonésia e China, países conhecidos pelo pouco rigor das leis trabalhistas - o que barateia o produto final. O segmento de calçados esportivos é o mais atingido. 

Dados da Abicalçados mostram que, apesar de este nicho corresponder a 10% da produção nacional, ele representa 30% do faturamento e 30% dos empregos devido ao maior valor agregado e ao tempo dedicado para a produção de cada par. Pelo menos nesse quesito, as micro e pequenas empresas saem ganhando, pois são as organizações de grande porte que fabricam calçados esportivos e sofrem mais concorrência da produção externa. 

"Por outro lado, os asiáticos também importam sapatos masculinos, femininos e de passeio, o que acaba prejudicando todo o setor", pondera Klein. 

Na 39° Couromoda, feira internacional de calçados, artigos esportivos e artefatos de couro, que está sendo realizada esta semana em São Paulo, o clima é de otimismo com pé no chão. "Confesso que antes de o evento começar estávamos apreensivos, mas agora estamos mais tranquilos", diz o executivo da associação. Ele acredita que 2012 ainda será difícil, principalmente porque não se sabe ainda quais serão os efeitos da crise financeira mundial no mercado doméstico. 

No entanto, segundo ele há espaço para o empreendedor que deseja abrir um negócio nesse segmento. Para Klein, sempre haverá lugar para a empresa que investe em produtos qualificados, originais e com alto valor agregado. A diferenciação pode ocorrer tanto em aspectos tecnológicos de confecção do calçado como no design do sapato. "Quem atender a esses requisitos terá sempre a preferência do consumidor", enfatiza. 

Ações para garantir a competitividade do setor calçadista

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Abicalçados assinaram um convênio, durante a Couromoda, para promover a competitividade das empresas calçadistas brasileiras no mercado internacional. O objetivo é ampliar a presença dos calçados nacionais nesses mercados e aumentar o valor exportado dos produtos. A parceria prevê a destinação de R$ 13,8 milhões em 2012 para a realização de ações de promoção comercial, de imagem, de desenvolvimento de produto e de estrutura e gestão. 

Os focos das ações serão a China, os Emirados Árabes Unidos , a Itália, a França, a Rússia, os Estados Unidos, a Colômbia e a África do Sul. Já a Agência de Fomento Paulista, instituição financeira do governo do Estado, estima aumentar a quota de financiamento para o setor calçadista da região, embora ainda não tenha confirmado o volume a ser investido este ano. Em 2009, a agência desembolsou R$ 1,1 milhão; no ano seguinte, R$ 4,2 milhões e, em 2011, R$ 5 milhões.