Euro vive o décimo aniversário em angústia 

A moeda europeia celebra o décimo aniversário com muita discrição, o que não deixa de revelar a crise profunda pela qual atravessa, muito diferente da euforia que tomou conta das pessoas no dia 31 de dezembro de 2001, quando foi lançada, com 14,9 bilhões de notas e 52 bilhões de moedas, introduzidas de um dia para outro, em 12 países. 

De qualquer forma, será emitida uma moeda comemorativa, a partir de segunda-feira nos 17 países que integram, hoje, a Zona do Euro. 

Em Frankfurt, o Banco Central Europeu divulgou em seu portal na internet um breve vídeo para recordar os benefícios do euro que, ‘durante a década pasada, foi símbolo de integração e cooperação’, segundo o presidente do BCE, Mario Draghi. 

"Apesar dos desafios que a Europa e o mundo enfrentam atualmente, os cidadãos europeus podem estar certos de que o BCE continuará fiel a sua atribuição de manter a estabilidade dos preços’, prometeu Draghi. 

Atualmente, a Zona do Euro abrange 332 milhões de pessoas em 17 países.  

O site da Comissão Europeia ainda destacaos pontos positivos da moeda única: ‘preços estáveis para os consumidores, mais segurança e oportunidades para as empresas e os mercados’, e, inclusive, ‘um sinal tangível de uma identidade europeia’. 

Mas com a crise da dívida, que detonou na Grécia em 2010 e depois se espalhou para toda a região, os velhos ressentimentos foram retomados e os céticos, no início considerados desmancha-prazeres, ganham cada vez mais adeptos, enquanto crescem vertiginosamente as diferenças entre os países do Norte e do Sul da Europa. 

Apesar das vantagens para viajar, ‘os consumidores nunca estiveram muito felizes (com o Euro) e sempre mantiveram a percepção inicial de que equivalia a um aumento dos preços’, constatou André Sapir, economista de Bruegel, um centro de reflexão baseado em Bruxelas. 

Já a identidade europeia saiu fortemente atingida pela crise da dívida, com os alemães criticando o ‘relaxamento’ dos gregos ou dos italianos, e os franceses avivando velhos sentimentos de germanofobia. 

As empresas foram as primeiras a destacar os benefícios do euro, sobretudo na Alemanha. A poderosa indústria automotiva economiza entre 300 e 500 milhões nos gastos de transações devido à entrada em vigor da moeda única, segundo Jurgen Pieper, analista do banco alemão Metzler. 

Agora, no entanto, a dívida de 12 dos 17 países do euro encareceu e, além dos casos extremos de Grécia e Itália, a situação afeta seriamente a Espanha, país que também está pagando a taxa de juros mais alta para bônus a dez anos desde que o euro foi adotado. 

A falta de uma integração fiscal e a falta de supervisão bancária desencadeiam grandes desequilíbrios financeiros. 

Até o momento, ninguém considera seriamente um retorno às velhas moedas europeias, embora apareçam os nostálgicos, principalmente alemães, que lembram orgulhosos o marco, emblema do milagre econômico do pós-guerra. 

Um fim do euro seria uma catástrofe para os bancos europeus, e faria com que, por sua vez, a inflação e o desemprego disparassem, advertem os economistas. No caso de um país como a Grécia, sua própria moeda, neste caso o dracma, registraria imediatamente uma forte desvalorização. E os detentores da dívida grega sofreriam grandes perdas. O mesmo ocorreria em cada país que abandonar o euro. 

O ‘fim do euro seria o fim da Europa’, advertiu o presidente francês, Nicolas Sarkozy. 

O presidente do Banco Central alemão, Jens Weidmann, recentemente ironizou os rumores de que estavam sendo impressas notas da velha moeda: ‘Não há plano B, não há impressoras nos porões do Bundesbank’.