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Em 2009, PIB varia -0,3% e atinge R$ 3,24 trilhões

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Após crescer 4,7%, em média, durante o período de 2004 a 2007 e se expandir em 5,2% em 2008, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve, em 2009, variação de -0,3% em relação ao ano anterior. Em valores correntes, o resultado alcançado foi de R$ 3.239 bilhões, e o deflator (variação média dos preços em relação à média dos preços do período anterior) do PIB ficou em 7,2%. Em 2009, o PIB per capita atingiu R$ 16.917,66, o que representa uma queda em volume de 1,3% em relação ao observado em 2008.

Em 2009, os serviços cresceram 2,1%, com destaque para as atividades “intermediação financeira” (7,8%) e ”serviços prestados às famílias e associativas”  (4,3%), essa última devido à manutenção das despesas de consumo final pelas famílias. Destaca-se, também, o crescimento do valor adicionado bruto gerado por “administração, saúde e educação públicas”, de 3,0%. O comércio teve variação de –1,0%, em contraste com os 6,1% de crescimento registrados em 2008. Esta redução contribuiu para a variação negativa da sua participação no valor adicionado dos serviços, que saiu de 18,9% em 2008 para 18,5% em 2009.

A indústria apresentou uma queda em volume de 5,6%, perdendo 1,1 ponto percentual de participação no valor adicionado total da economia. A redução, em volume, dos investimentos em 2009 afetou principalmente o crescimento de “fabricação de caminhões e ônibus” (-29,7%), “fabricação de máquinas e equipamentos” (-22,1%) e “material eletrônico e equipamentos de comunicação” (-19,2%). O valor adicionado bruto da “construção civil”, que havia crescido 7,9% em  2008, caiu 0,7% em 2009.

A agropecuária registrou queda em volume, de 3,1%, resultante da redução de 5,0% no valor adicionado bruto da “agricultura, silvicultura e exploração florestal” e do crescimento de apenas 1,0% no grupo “pecuária e pesca”. É a primeira queda  observada ao longo da nova série ajustada, iniciada em 1995. Esse desempenho pode ser explicado, em parte, pela queda de produção e produtividade de alguns produtos da lavoura – decorrente das condições climáticas no ano de 2009 – e pelas incertezas no cenário internacional.

Em 2009, o componente da demanda com maior crescimento foi o consumo final (4,1%), passando de 79,1% do PIB em 2008 para 82,3% em 2009. O principal responsável por esse aumento foi o “consumo das famílias”, que cresceu 4,4%, coerente com o aumento de 3,3% na massa salarial real, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego, e com o aumento de 19,7%, em termos nominais, nas operações de crédito do sistema financeiro para pessoa física, segundo dados do Banco Central do Brasil.

Mesmo crescendo a um ritmo menor que o “consumo das instituições sem fins de lucro a serviço das famílias” (5,7%), o consumo das famílias, por seu peso no total do consumo, foi o maior responsável pelo aumento nesse item. O “consumo da administração pública” cresceu 3,1%.

Na análise por bens e serviços consumidos, destacam-se o consumo de “intermediação financeira, seguros, previdência complementar e serviços relacionados”, com crescimento de 10,6%, e o de “eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana”(6,5%). Entre os bens e serviços com maiores aumentos de preço no consumo final se destacam os “serviços de informação” (9,6%) e as “atividades imobiliárias e aluguéis” (8,1%).

A formação bruta de capital fixo somou R$ 585,3 bilhões em 2009, um aumento nominal de 1,0% em comparação com o ano anterior (R$ 579,5 bilhões). Apesar disso, o volume teve redução de 6,7%, única queda no período entre 2005 e 2009. O resultado nominal positivo decorre desta variação negativa no volume, associado a um aumento médio de preços de 8,3% dos produtos que compõem o investimento. A “taxa de investimento”, participação da formação bruta de capital fixo no PIB, foi de 17,9% em 2009, uma redução de 0,9 ponto percentual em relação ao ano anterior. Apesar da interrupção de uma sequência de três anos consecutivos de crescimento, a participação é a segunda maior desde o ano 2000. Em termos de participação relativa, “máquinas e equipamentos” interromperam a trajetória de crescimento observada nos últimos anos, passando de 56,7% em 2008 para 50,1% da FBCF em 2009, o equivalente a R$ 293,3 bilhões. Em contrapartida, a participação de “construção” subiu de 36,3% para 42,3% e a categoria “outros” passou de 7,0% para 7,6%.

Exportações e importações registraram queda de volume, de 9,1% e 7,6%, respectivamente. Pelo lado das exportações, o destaque é a queda em volume de “bens de capital” (-41,5%) e “bens de consumo duráveis” (-32,0%). Já no que se refere ao volume importado, tiveram destaque as quedas na importação de “bens e serviços intermediários” (-11,9%) e “bens de capital” (-8,7%), parcialmente contrabalançadas pela expansão das importações de “bens e serviços de consumo não-duráveis” (22,3%).