Norte e Nordeste estão vulneráveis às mudanças climáticas

SÃO PAULO, 23 de setembro de 2010 - As regiões mais vulneráveis à mudança do clima no Brasil seriam Norte e Nordeste. Na Amazônia, o aquecimento pode chegar a 7°C-8°C em 2100, o que prenuncia uma alteração radical da floresta amazônica - a chamada "savanização". Estima-se que as mudanças climáticas resultariam em redução de 40% da cobertura florestal na região Sul-Sudeste-Leste da Amazônia, que será substituída pelo bioma savana, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

No Nordeste, as chuvas tenderiam a diminuir 2-2,5 mm/dia até 2100, causando perdas agrícolas em todos os estados da região. O déficit hídrico reduziria em 25% a capacidade de pastoreio de bovinos de corte, favorecendo assim um retrocesso à pecuária de baixo rendimento.

"O declínio de precipitação afetaria a vazão de rios em bacias do Nordeste, importantes para geração de energia, como a do Parnaíba e a do Atlântico Leste, com redução de vazões de até 90% entre 2070 e 2100. Haveria perdas expressivas para a agricultura em todos os estados, com exceção dos mais frios no Sul-Sudeste, que passariam a ter temperaturas mais amenas", avalia o instituto.

Os impactos da mudança do clima para as diferentes regiões brasileiras seriam alarmantes em algumas bacias hidrográficas, principalmente na região Nordeste, com uma diminuição brusca das vazões até 2100 e também mais moderadamente na região Norte. Tal diminuição pode gerar uma perda de confiabilidade no sistema de geração de energia hidrelétrica, com redução de 31,5% a 29,3% da energia firme. No Sul e no Sudeste os impactos se mostrariam mínimos ou positivos, mas neste caso não compensariam as perdas do Norte e do Nordeste.

Com exceção da cana-de-açúcar, todas as culturas sofreriam redução das áreas com baixo risco de produção, em especial soja (34% a 30%), milho (15%) e café (17% a 18%).

"A produtividade cairia, em particular, nas culturas de subsistência no Nordeste. No que se refere à Zona Costeira, considerando-se o pior cenário de elevação do nível do mar e de eventos meteorológicos extremos, estimaram-se os valores materiais em risco ao longo da costa brasileira, os quais variam de R$ 136 bilhões a R$ 207,5 bilhões, dependendo da metodologia de cálculo utilizada", aponta o Ipea.

(Redação - Agência IN)