No Nordeste, as chuvas tenderiam a diminuir 2-2,5 mm/dia até 2100, causando perdas agrícolas em todos os estados da região. O déficit hídrico reduziria em 25% a capacidade de pastoreio de bovinos de corte, favorecendo assim um retrocesso à pecuária de baixo rendimento.
"O declínio de precipitação afetaria a vazão de rios em bacias do Nordeste, importantes para geração de energia, como a do Parnaíba e a do Atlântico Leste, com redução de vazões de até 90% entre 2070 e 2100. Haveria perdas expressivas para a agricultura em todos os estados, com exceção dos mais frios no Sul-Sudeste, que passariam a ter temperaturas mais amenas", avalia o instituto.
Os impactos da mudança do clima para as diferentes regiões brasileiras seriam alarmantes em algumas bacias hidrográficas, principalmente na região Nordeste, com uma diminuição brusca das vazões até 2100 e também mais moderadamente na região Norte. Tal diminuição pode gerar uma perda de confiabilidade no sistema de geração de energia hidrelétrica, com redução de 31,5% a 29,3% da energia firme. No Sul e no Sudeste os impactos se mostrariam mínimos ou positivos, mas neste caso não compensariam as perdas do Norte e do Nordeste.
Com exceção da cana-de-açúcar, todas as culturas sofreriam redução das áreas com baixo risco de produção, em especial soja (34% a 30%), milho (15%) e café (17% a 18%).
"A produtividade cairia, em particular, nas culturas de subsistência no Nordeste. No que se refere à Zona Costeira, considerando-se o pior cenário de elevação do nível do mar e de eventos meteorológicos extremos, estimaram-se os valores materiais em risco ao longo da costa brasileira, os quais variam de R$ 136 bilhões a R$ 207,5 bilhões, dependendo da metodologia de cálculo utilizada", aponta o Ipea.
(Redação - Agência IN)