Mercado de câmbio opera atento nas atuações do BC

SÃO PAULO, 23 de setembro de 2010 - Nos últimos dias em meio a declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega e expectativa pela capitalização da Petrobras, o mercado de câmbio opera atento nas atuações do Banco Central (BC) deixando o dólar comercial volátil, mas sem grandes saltos. No final dos negócios desta quinta-feira, a divisa que após abrir em alta, fechou cotada a R$ 1,720 com desvalorização de 0,12%.

Mantendo a rotina o Banco Central (BC) prosseguiu com os dois leilões de compra. No primeiro, a autoridade monetária comprou dólares a R$ 1,7209 e no segundo comprou a R$ 1,719.

Operadores comentam que os agentes ficam comprados em dólar, esperando a atuação do BC. Esses agentes vendem os dólares para a autoridade monetária e depois mudam o viés, e hoje isso aconteceu novamente, disse um dos operadores, assim que houve a intervenção do BC a moeda norte-americana voltou a cair.

O artigo de Eduardo Pocetti é CEO da BDO, quinta maior rede do mundo em auditoria, tributos e advisory services, ressalta que hoje vivemos no Brasil um cenário delicado, além da desvalorização global do dólar, a entrada de recursos externos em nosso país tem provocado sobrevalorização do real em relação ao dólar. Um fator em especial tem mexido com os ânimos do mercado cambial: a perspectiva de que cerca de US$ 20 bilhões entrem no país até o final do mês em razão da oferta pública de ações promovida pela Petrobras. Também as taxas de juros (as mais altas do mundo, com uma Selic a 10,75% ao ano) têm estimulado o ingresso de investimentos externos.

No entanto, segundo Pocetti, é preciso ter muita cautela ao atuar no mercado, para evitar movimentos que pareçam desequilibrados e provoquem reações indesejadas e enfrentamentos. É curioso perceber que o poder dos cerca de US$ 270 bilhões em reservas internacionais recordes em poder do Tesouro Nacional é pouco representativo no esforço do governo em segurar a cotação do real. "A alternativa atual que resta ao BC é engordar ainda mais estas reservas, atuando para retirar dólares do mercado", finaliza.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)