Europa e dados mistos dos EUA derrubam Wall Street

SÃO PAULO, 23 de setembro de 2010 - As principais praças acionárias norte-americanas fecharam a sessão desta quinta-feira em queda, diferindo entre os investidores as análises sobre os dados da economia do país. Indicadores em direções opostas e notícias europeias ruins impactaram os negócios de maneira diferente. Com isso, em Nova York, o índice Dow Jones Industrial Average caiu 0,72%, aos 10.662 pontos. O S&P 500 perdeu 0,83%, aos 1.124 pontos. E na bolsa eletrônica, o índice composto Nasdaq recuou 0,32%, aos 2.327 pontos.

O receio com relação à recuperação das economias europeias retornou ao mercado, impactando nos negócios em Wall Street logo na abertura, devido à desaceleração nas atividades de manufatura e de serviços na zona do euro.

"A Europa deu a tônica hoje e durante toda a semana. Um dia a baixa demanda pelos títulos ofertados por Portugal, depois a queda na expectativa de crescimento da Irlanda além dos indicadores de atividade, todos jogando pessimismo no mercado", afirma Sérgio Manoel Correa, economista da LLA Investimentos.

Na zona do euro, o Índice Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do setor manufatureiro cresceu para 53,6 pontos, frente 55,1 e o PMI de serviços registrou 53,6 pontos, frente alta de 55,9 pontos, ambos de setembro ante agosto e aquém das expectativas do mercado.

Além disso, números mistos da economia dos EUA ajudaram a confundir as análises ao longo do dia. Os pedidos de seguro-desemprego subiram 12 mil na semana encerrada dia 18 de setembro, passando de 453 mil (revisado) para 465 mil. O mercado aguardava que o indicador ficasse entre 449 mil e 455 mil.

Nem mesmo o excelente desempenho do setor imobiliário - pivô da crise financeira -e das expectativas futuras conseguiram elevar os índices, que oscilaram ao longo do dia. As vendas de imóveis usados cresceram 7,6% em agosto e o os indicadores antecedentes subiram 0,3% na variação mensal.

"Os números dos EUA, no geral, podem ser vistos como mistos. O mercado de trabalho, que pressiona a economia em geral, apresentou dados que preocupam, pois a falta de renda vai influenciar, em última instância, na inflação, e os norte-americanos têm um medo histórico de deflação. Por outro lado, os números antecedentes vieram bons, o que é bastante paradoxal", afirma João Pedro Brugger, analista da Leme Investimentos.

Segundo Brugger, é importante destacar que a ata do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) permanece no imaginário dos investidores, já que a instituição não anunciou medidas para alavancar a recuperação dos EUA mas "deu sinais de que está de olho na baixa inflação do país".

(Sérgio Vieira - Agência IN)