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Belo Monte deve entrar em obras seis meses antes

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Marta Nogueira, Jornal do Brasil

RIO - A construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingú (PA), poderá ser antecipada em seis meses, de acordo com o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. Mas ele reforça que a obra vai precisar de investimentos governamentais para sair do papel.

Segundo Tolmasquim, a primeira máquina da usina deverá entrar em operação em meados de 2014 e não em 2015, como está previsto em contrato, já que a Licença de Instalação (LI) deve ser antecipada do fim do ano para outubro.

Tolmasquim disse que as dificuldades enfrentadas pelo governo para obter licenças para as hidrelétricas, em função de restrições ambientais, podem trazer a necessidade de novas termoelétricas, contrariando as diretrizes do governo de investir apenas em energia renovável.

Eu tenho escutado o grupo vencedor falar em até seis meses, era 2015 e seria meados de 2014 a primeira máquina disse Tolmasquim em palestra no Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef).

Além da compensação ambiental que os empreendedores que ganharam o leilão de Belo Monte terão que fazer, a União também vai entrar com recursos e criar um ambiente propício para o desenvolvimento da região, com a construção de estradas e novas moradias.

É uma usina complicadíssima, em um lugar complicado que vai precisar de ação permanente do governo. É uma usina que se você largar, não vai sair declarou Tolmasquim.

Desde o leilão, em abril, o setor privado ampliou os participantes e o governo ficou com quase a metade do custo da construção. São 18 investidores, entre as três estatais Eletrobras, Chesf e Eletronorte que ficarão com 49,98%. A capacidade média instalada de Belo Monte é de 11 mil megawatts (MW), mas ela vai gerar apenas 4.571 MW médios, já que não terá reservatório.

O presidente da EPE também informou, que após o atraso de quase um ano, a linha de transmissão Tucuruí-Macapá-Manaus que será responsável por diminuir a dependência do óleo na região receberá as licenças ambientais para construção em breve. Segundo ele, cerca de 59% do potencial hidrelétrico não utilizado do país está na região, onde só é aproveitada 7% da capacidade.