Os diferentes dados econômicos vindos de três regiões trouxeram incertezas para o mercado. China, Europa e EUA colaboraram para que os papéis dos setores de siderurgia, mineração e telecomunicações seguissem o mau humor do mercado externo e operassem em queda na primeira etapa do pregão.
As maiores perdas no Ibovespa eram da siderurgia e da mineração. As ações (ON) da Gerdau recuavam 2,24%, da Usiminas (PNA) perdiam 1,02%, MMX (ON) decresciam 2,38%, Petrobras (ON) caíam 2,35% e as da Vale (ON) desvalorizavam 0,69%. As empresas ligadas a commodities são as que mais sofreram com o anúncio da desaceleração do setor manufatureiro chinês. O Índice Gerente de Compras (PMI) marcou 50,4 pontos em junho contra 52,7 pontos de maio.
"O cenário nas bolsas mundiais hoje refletem a preocupação da capacidade de recuperação da atividade econômica aos níveis pré-crise", afirmou Alex Agostini, economista chefe da Austin Rating.
As notícias europeias também colaboraram para a queda do principal índice acionários da BM&FBovespa, puxadas pelo anúncio da Moody's de que colocaria em revisão para rebaixamento a classificação dos créditos da Espanha. Além disso, o veto do Governo português na proposta de compra da Telefónica pela Vivo Participações fez desvalorizar, no Brasil, os papéis de seus pares. As ações (ON) da Brasil Telecom recuavam 3,06%, a TIM (PN) 1,24%, a Vivo (ON) 1,05% e a Embratel (ON) 2,23%.
Mais uma vez, os dados macroeconômicos da economia dos EUA divergem e deixam dúvidas no ar. A desaceleração de 59,7 pontos em maio para 56,2 pontos no índice de manufatura em junho, o recuo de mais de 30% nas vendas de imóveis pendentes e retração de 0,2% nos gastos de construção, ambos em maio frente a abril, preocuparam o mercado. No entanto, Alex Agostini explica que estas informações reforçam a visão de que a economia do país está se recuperando de forma lenta, gradual e contínua, sem sobressaltos, pois nem inflação está sendo observada. "Não enxergo como um processo de reversão", acrescenta.
(Sérgio Vieira - Agência IN)