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Fim da inflação beneficia população de baixa renda

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SÃO PAULO, 1 de julho de 2010 - O fim da inflação é comemorado por todos os brasileiros, que observaram o avanço do seu poder de comprar, que passou a contar com padrões de consumo sistematicamente mais elevados ao longo dos últimos 16 anos. Segundo Octavio de Barros, economista chefe do Banco Bradesco, foram inegáveis as vantagens do fim das sucessivas alavancagens de preço para a população de baixa renda.

"Sem mecanismos de proteção eficiente, essa parcela da população era a que mais se via prejudicada com a aceleração de preços, ao verem seus salários reais corroídos em poucos dias", afirma.

O economista aponta ainda que o fim da inflação contribuiu enormemente para a redução da desigualdade no Brasil e apontar quais são as reais mazelas e atacá-las com maior eficácia: o desequilíbrio fiscal, a enorme desigualdade de renda, os desajustes nas finanças dos bancos públicos e dos estados e municípios, as ineficiências produtivas no setor privado, entre tantos outros problemas. Desta forma, o fim da inflação elevada permitiu aos formuladores de política atacar os verdadeiros problemas do setor público e ao, ao setor privado, a focar na eficiência produtiva e de gestão.

Grande parte da população brasileira com menos de 25 anos não se lembra das corridas aos supermercados mensais para realizar estoques de alimentos e outros produtos, com o receio de que, no mês seguinte, assim que recebessem o salário novamente, os preços já tivessem sido reajustados (não foram raras as vezes que estas elevações passaram dos 100%). Na ocasião, poucos eram os produtos comprados a prazo, requisitar crédito era burocrático e fazer programação orçamentária era tarefa praticamente impossível.

Apesar de esta ter sido a realidade dos brasileiros ao longo de três longas décadas, com períodos de grande agravamento entre os anos 80 e 90, o Plano Real conseguiu - após mais de seis planos de estabilização - conter a inflação que corroia o poder de compra dos brasileiros. Sua implantação foi tão bem sucedidade que é considerado, pela University Sorbonne-Pantheon, em Paris, um dos cinco melhores planos econômicos de estabilização do século XX.

Às vésperas de sua implantação, o preço aos consumidores fechou em 47,43% ao passo que, dezesseis anos depois, a inflação está controlada e, de acordo com o último boletim Focus do Banco Central, a previsão para o indicador é de 5,55% ao término de 2010. "Após décadas de inflação elevada e sem controle, o Plano Real conseguiu trazer a inflação para patamares bastante razoáveis. A inflação baixa é pré-condição para o desenvolvimento econômico. Sem ela, as empresas e famílias são incapazes de planejar no longo prazo. Com inflação baixa, os preços relativos se alinham e apontam para onde devem fluir os recursos da economia", afiram Octavio de Barros, economista chefe do Bradesco.

Além disso, com preços reduzidos, o mercado de crédito bancário e o mercado de capitais se desenvolveram, pois a condição básica para que haja transações no longo prazo é que ocorra preservação do patrimônio, algo que só é possível com inflação previsível e baixa, que é aquele nível que faz com que as mudanças de preços passem despercebidas pela população e pelas empresas.

Octávio de Barros ressaltou o sucesso do Real com uma frase famosa entre os economistas a respeito do Plano. "Nada é mais poderoso do que uma idéia cuja hora tenha chegado". O Plano Real foi um pouco disso. Após inúmeras tentativas de estabilização econômica fracassadas, a hora do Plano Real chegou.

(Sérgio Vieira - Agência IN