Investimento lidera crescimento do PIB mas requer atenção

SÃO PAULO, 8 de junho de 2010 - Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para o primeiro trimestre de 2010, apesar da já esperada alta, surpreenderam o mercado devido ao vigor dos números reportados. Detalhe especial para os investimentos em Formação Bruta de Capital que cresceram 7,4% no primeiro trimestre e já representam 18% do PIB.

"O valor é bastante representativo pois indica uma nova tendência: a de buscar crescimento por meio de investimentos e não mais apenas pelo consumo, no entanto, é importante ressaltar que ocorreu com o aumento dos gastos do governo e o ideal é que seja gerado por meio de investimentos privados", afirma Bruno Lembi, sócio da M2 Investimentos.

O PIB do primeiro trimestre cresceu 2,7% ante o último trimestre de 2009 e 9,0% na comparação com os meses de janeiro a março de 2009. Apesar da expansão econômica por meio de investimentos ser a forma mais saudável e menos onerosa, ainda há dúvidas quanto ao fechamento do hiato do produto, ou seja, a diferença entre o PIB efetivo e o PIB potencial.

Lembi aponta que "é preciso analisar estes dados com mais cautela, por que a taxa de investimento se mostra em ascensão, mas os dados de abril mostram desaceleração da indústria mesmo com expansão de todos os setores de atividade".

Vale ressaltar que, a longo prazo, investimentos viabilizam aumento na capacidade instalada da indústria e tende a crescer, por sua vez, a taxa de contratações. No entanto, exerce pressão sobre a inflação presente.

"Para diminuir esta dicotomia, o governo deve conter seus gastos, sanear as contas públicas e gerar oportunidades para que a iniciativa privada entre com esse capital. Quando os empresários arcam com essa despesa tiram peso do governo", alerta Lembi.

Outro ponto que o analista ressalta é a oportunidade ímpar que o Brasil tem nesse momento. "Os países desenvolvidos vão passar por um momento difícil, sobrando poucas oportunidades reais para os investidores. O Brasil será um local de grande aporte de investimentos, muito por mérito do País - com sólidos fundamentos macroeconômicos- mas também por falta de opções", ressalta.

(Sérgio Vieira - Agência IN)