Os agentes começam a se preparar para a reunião da semana que vem do Comitê de Política Monetária (Copom) que irá definir o rumo da taxa Selic, fixada em 9,50% ao ano. Para Roberto Padovani, estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil, o colegiado do Banco Central (BC) deverá elevar a taxa Selic em 0,75 ponto percentual. "Mais do que o aumento dos juros, amplamente esperado, a autoridade monetária poderá indicar um novo balanço de riscos, abrindo a porta para um ciclo de menor aperto", ressalta.
Em relatório Padovani comenta que de fato, o BC provavelmente manterá a estratégia definida na última reunião, com ritmo de alta mais elevado que o inicialmente esperado, para favorecer um ajuste total menor, dados os impactos positivos sobre a credibilidade do Banco Central e a ancoragem das expectativas de inflação.
Para o WestLB, no entanto, a reorientação das políticas fiscal e monetária adotadas a partir do final de 2009 já começa a alcançar a economia. Tanto o superávit primário do setor público quanto os juros futuros mostram alta há algum tempo, estes últimos - em parte - coordenados pela comunicação do próprio BC.
Da mesma forma, a autoridade monetária vem controlando a liquidez e adotando medidas prudenciais. Com menos estímulos de política, faz sentido que o crescimento mostre uma mudança de ritmo neste segundo trimestre, como indicam os dados de comércio e indústria.
Na próxima semana, os agentes receberão também o resultado do Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA) de maio, que deve fechar o período com alta de 0,56%, praticamente em linha com a medição anterior de 0,57% de abril.
No front externo, os negócios voltaram piorar. O relatório do emprego dos EUA em maio mostrando criação de 431 mil vagas ante previsão de abertura de 515 mil postos de trabalho aumentou o nervosismo no mercado.
(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)