ASSINE
search button

Inflação continua sinalizando necessidade de aperto monetário

Compartilhar
SÃO PAULO, 17 de maio de 2010 - As pressões inflacionárias no Brasil continuam sinalizando necessidade de maior aperto monetário, mas espera-se que o governo utilize também outros instrumentos, como aumento dos compulsórios e até uma eventual alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para encarecer o crédito ao consumidor, avalia Sidnei Moura Nehme, diretor-executivo da NGO.

Ainda segundo o executivo, a questão da inflação no Brasil é muito delicada, visto que a propagação intensa que está presente na economia é estimulante à remarcação de preços, e devemos considerar também que fatores de pressão de demanda decorrem dos gastos governamentais intensos além de uma parcela relevante inercial já que a economia ainda mantém muitos reajustes atrelados ao Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M).

Na agenda desta segunda feira, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) de 15 de maio registrou variação de 0,64%, mostrando arrefecimento da inflação puxado pelos grupos alimentação e vestuários, maiores altas observadas em abril.

Já o boletim Focus divulgado pelo Banco Central (BC) mostrou que a estimativa de inflação (IPCA) para 2010 teve leve acréscimo, ao passar de 5,50%, para 5,54%. Para 2011, a taxa permaneceu em 4,80% pela quinta semana consecutiva. Ainda segundo o documento, a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 passou de 6,26% para 6,30%.

No entanto, mesmo com a expectativa de crescimento e inflação elevada, os analistas mantiveram pela terceira semana seguida as apostas para a Selic deste ano em 11,75%. Para o próximo ano, a expectativa também ficou inalterada, aos 11,50%.

Os agentes puderam monitorar também os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho, revelando que houve a abertura de 305.068 mil postos de emprego com carteira assinada em abril deste ano, o que representa novo recorde da série histórica, que tem início em 1992, para este mês.

Diante de vários dados econômicos a curva de juros futuros teve um dia sem tendência única. Na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011 fechou com taxa anual de 11,06%, ante 11,08% do ajuste anterior. Janeiro de 2017 projetou juro de 12,56%, frente aos 12,54% do fechamento de sexta-feira.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)