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Euro no nível mais baixo desde outubro de 2008 após relatório do FMI

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Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - O euro caiu sexta-feira a seu nível mais baixo desde o fim de outubro de 2008 e as bolsas europeias tiveram fortes quedas, com Madri (6,64%) liderando as perdas. Houve uma escalada das preocupações de que as duras medidas fiscais adotadas por países da zona do euro prejudiquem o crescimento econômico da região, baseada em relatório pessimista sobre a economia europeia divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Níveis elevados de endividamento público poderão pesar sobre o crescimento econômico durante anos , diz o relatório. O FMI estima que se os países desenvolvidos não retornaram ao nível de endividamento de antes da crise de 2008-2009, seu potencial de crescimento poderá diminuir mais de 0,5% ao ano, um efeito realmente considerável caso seja acumulado durante vários anos .

Para o analista de investimentos Bernardo Moneró, da Planner Corretora, há um somatório de problemas mundiais, sem nenhum gatilho positivo. Tem a perspectiva de que a economia europeia vai ficar estagnada nos próximos três anos, a investigação sobre o sistema financeiro nos EUA, o superaquecimento na China, é muita coisa acontecendo , avalia.

Depois de subir até US$ 1,30 na segunda-feira com o anúncio do superpacote da União Europeia (UE) de 750 bilhões de euros para os países frágeis da Europa, a moeda única caiu sexta-feira abaixo de seu piso de US$ 1,24.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, teria ameaçado tirar o país da zona do euro em encontro de líderes europeus para a negociação do pacote de ajuda à Grécia, segundo reportagem do jornal espanhol El País. Uma porta-voz do governo alemão, no entanto, negou que Sarkozy tenha feito a ameaça.

Sinal das crescentes preocupações com a solidez da moeda única da Europa, o ouro alcançou um novo recorde histórico no London Bullion Market, a US$ 1.249,40 a onça.

O temor dos investidores por conta dos déficits públicos de Grécia, Portugal e Espanha fez estragos nas bolsas europeias. Paris caiu 4,59%, Londres, 3,14%, e Frankfurt, 3,12%, enquanto Milão recuou 5,26%. A bolsa de Lisboa caiu 4,27% e a de Atenas, 3,41%. Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones, referência na Bolsa de Nova York, recuou 1,51%, aos 10.620 pontos e o Nasdaq perdeu 1,98%, aos 2.347 pontos.

O mercado brasileiro acompanhou: a Bolsa de Valores de São Paulo fechou em queda de 2,12%, aos 63.412 pontos. Na semana, porém, a Bovespa teve pequeno ganho, acumulando alta de 0,86%. O dólar também foi atingido, com alta de 1,51%, vendido a R$ 1,804. Na semana, entretanto, a divisa americana tem queda de 2,54%.

A retomada do euro (depois do anúncio do plano) foi desinflada e alguns temem que tudo isso desemboque em uma crise de crédito que afete todo o sistema financeiro disse Hideaki Inoue, corretor do Mitsubishi UFJ Trust and Banking Corp., com sede em Tóquio, onde a bolsa caiu 1,49%.

Os investidores precisam de mais provas que os convençam da vontade dos governos de reduzir seus déficits disseram em relatório os analistas do banco francês BNP Paribas, que não esperavam a queda.

A necessidade de medidas de austeridade se estendeu por uma Europa acossada pela crise grega e agora chegou a vez da Itália reduzir seu gasto público, seguindo os passos da Espanha e de Portugal.

O buraco do déficit público italiano, no entanto, se limita a 5,3% do PIB em 2009, contra 9,4% em Portugal e 11,2% na Espanha, graças à firmeza do ministro da Economia, Giulio Tremonti, durante a crise.