Nestlé pode ter multa de R$ 8,5 milhões

Marta Nogueira, Jornal do Brasil

RIO - O sabor dos produtos da Nestlé vão passar por uma prova de fogo que pode custar muito caro para a empresa. Se for comprovado que o paladar da nova bebida láctea Alpino Fast, lançado há três meses, não se parece com o chocolate Alpino, a companhia pode ter que pagar até R$ 8,5 milhões em multas, além de ser obrigada a mudar a embalagem ou até mesmo suspender a venda do produto. O problema seria a distribuição da bebida com o mesmo nome e embalagem do famoso e consagrado chocolate Alpino, acompanhado do aviso Este produto não contém chocolate Alpino .

A Nestlé se contradisse ao enviar quarta-feira uma nota à imprensa explicando que o Alpino Fast tem, sim, em sua composição, além de outros ingredientes, a mesma massa do chocolate Alpino e que o sabor do chocolate Alpino no produto Alpino Fast foi reconhecido por 92% dos consumidores entrevistados pelo Instituto Ipsos, antes do lançamento.

Na explicação para a promotoria eles informaram que "exatamente os mesmos aromas e sabores do chocolate Alpino sólido jamais poderiam ser empregados no Alpino Fast líquido afirmou o promotor de Justiça de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro, encarregado do inquérito civil, Julio Machado.

De acordo com ele, a investigação será em torno do paladar e do aroma do produto, e caso seja comprovada a diferença entre os dois produtos, pode ser proposta uma ação civil pública para acabar com as irregularidades. Os consumidores poderão ser indenizados.

A estudante Bruna Oliveira, de 17 anos, provou o produto pensando ser parecido com o chocolate, mas concluiu que não é diferente dos outros achocolatados .

O Ministério Público consultou o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, e o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), que também estão investigando o caso. O coordenador geral de assuntos jurídicos do DPDC, Amaury Oliva, ressalta que a Nestlé já foi notificada e está dentro do prazo para apresentar uma resposta.

Se concluirmos que a empresa agiu de má fé com os consumidores, a multa pode chegar a R$ 3 milhões informou Oliva.

Já o subsecretário da Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro (Procon -RJ), José Fernandes, declarou que a entidade também vai autuar a Nestlé e investigar o caso. A multa pode chegar a R$ 5,5 milhões.

A assessoria do Conar explicou que está aguardando o voto do relator, que será levado ao conselho de ética. O conselho pode determinar o arquivamento do caso, alteração do anúncio ou o fim da comercialização do produto.

A denúncia partiu do blog Coma com os Olhos (comacomosolhos.com), do publicitário Itamar Taver.