Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK avalia que após os ajustes iniciais ao plano de ajuda à Grécia, a cautela e a volatilidade devem voltar a fazer parte dos negócios mundiais, pelo menos até que fique bem clara sua forma de implementação e financiamento. Segundo ela, as dúvidas sobre a capacidade de os países endividados da Europa adotarem planos de austeridade fiscal persistem e se manterão como forte obstáculo para que a confiança seja, de fato, restabelecida.
"Melhoras mais definitivas dependerão de novas medidas de redução expressiva do déficit fiscal dos países centrais, especialmente o grego, o português e o espanhol, que restaure a credibilidade dos credores em relação à sustentabilidade de suas contas públicas", destaca.
Do outro lado do mapa, os indicadores chineses reforçam os riscos de aperto do juro por lá, o que comprometeria ainda mais as perspectivas de crescimento global, já bastante afetadas pela crise na Europa.
Na visão do diretor-executivo da NGO, Sidnei Moura Nehme, o cenário externo mais conturbado pode contrair ainda mais as projeções brasileiras de investimentos estrangeiros diretos (IED) e até da balança comercial, expandindo o déficit das transações correntes. "E caso este cenário não se altere até o final do primeiro semestre deste ano, o preço da moeda norte americana poderá sofrer pressões altistas ao final de 2010", observa. De acordo com estimativas do diretor, há possibilidade do dólar atingir o entorno de R$ 1,95 ao fim de dezembro, superando as projeções atuais, de R$ 1,80.
Mantendo a rotina, o BC comprou dólares no mercado à vista.
(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)