Segundo Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Way Investimentos, a questão da Grécia voltou a pesar nos mercados, em meio aos riscos soberanos de calote e dos temores de contágio a outros países da zona do euro, que também enfrentam grandes déficits públicos como Portugal e Espanha. "Este cenário empurra a Europa a acelerar as reformas econômicas e a preparar o reforço de suas regras de vigilância orçamentária", comenta.
O economista lembra que a situação grega está deixando nervoso os que apostaram que o país helênico era um bom negócio, como os bancos e também os governos de França, Alemanha e Itália, os grandes credores estrangeiros do país. "A situação nos remete aos problemas de um anos atrás, de resgatar bancos, os maiores credores da dívida grega", destaca, ressaltando que a crise grega pega os bancos europeus justo quando começavam a ensaiar uma recuperação da maior crise financeira mundial e ter que socorre-los novamente é um grande desafio.
Neste cenário de aversão a risco, além da crise grega, o arrefecimento da atividade industrial chinesa ajudou a elevar os temores de redução da demanda por commodities - o que derruba as cotações dos metais e do petróleo - e favorecem o dólar. Nos mercados acionários, o dia foi de perdas, com as commodities e os bancos liderando o movimento
"O pacote da União Europeia e do FMI à Grécia, em vez de disseminar expectativas positivas, levantou dúvidas se outros países, como Portugal e Espanha, não serão os próximos alvos", destaca um operador. No mercado, analistas comentam a possibilidade de que a Espanha também tenha seu rating rebaixado.
Internamente, o Banco Central (BC) manteve as atuações diárias e comprou dólares a R$ 1,7568 no mercado à vista.
(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)