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Um selo para valorizar o Rio

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Editorial, Jornal do Brasil

RIO - Num momento em que o estado do Rio de Janeiro se mobiliza preocupado, indignado diante das ameaças de perder recursos dos royalties do petróleo, eis que surge uma boa notícia. O estado acaba de receber da Standard & Poor's (S&P), agência internacional de classificação de risco, o chamado grau de investimento (investiment grade). O Rio é agora a primeira unidade da federação a alcançar tal classificação, que abre as portas do estado para mais investimentos estrangeiros.

O grau de investimento é considerado um selo de qualidade, que sintetiza certos atributos relacionados à saúde financeira de empresas e unidades políticas, como países e estados. É uma maneira de investidores internacionais terem um indicador que aponte o nível de segurança para seus negócios, reduzindo o grau de incerteza relacionado a riscos típicos de ambientes com instabilidade econômica.

A nota conferida pela S&P é a mesma que o Brasil recebeu há exatos dois anos, sendo comemorada pelo governo e pelo mercado como um novo patamar alcançado pelo país, depois de anos de luta contra a hiperinflação e em direção à racionalização das contas públicas. O Rio ganha também o mesmo status de que já desfrutam as gigantes Vale e Petrobras. A agência elevou a nota de crédito do estado em escala global para BBB- e o rating de crédito em escala nacional para brAAA .

É de se comemorar esse reconhecimento da S&P, que permite ao Rio estar num posição favorável aos olhos dos investidores estrangeiros, justamente agora numa etapa em que os governos do estado e da capital buscam parcerias e recursos para a realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Com a nova classificação, abrem-se as portas, por exemplo, de grandes fundos de pensão dos Estados Unidos, que têm como critério investir apenas em instituições dotadas de investiment grade.

A nova posição da economia fluminense reflete os ventos que sopram no Rio, tão combalido nas últimas décadas em virtude da perda da capital para Brasília, a migração de empresas para outros estados e os problemas relacionados à segurança pública. São obstáculos que vão sendo contornados. Há um clima de recuperação, e o relatório da Standard & Poor's destaca isso, ao afirmar que o estado tem uma economia forte, diversificada, e cujo PIB per capita é 25% maior do que a média nacional.

O documento menciona ainda os avanços na gestão das finanças do estado, que melhorou seus indicadores fiscais e financeiros. A afirmação é, neste sentido, um elogio indireto ao trabalho que o secretário estadual de Fazenda, Joaquim Levy, vem fazendo à frente da pasta.

O relatório, porém, faz uma advertência e ressalta certos riscos que ainda rondam o ambiente da economia fluminense, restringindo sua flexibilidade fiscal: o volume da dívida e a pressão contínua dos gastos públicos.

Agência insuspeita, por não tomar parte do conflito federativo que se deu desde a Emenda Ibsen, a Standard & Poor's, neste sentido, acaba por fornecer ainda mais argumentos para o Rio, em sua batalha contra a retirada dos recursos dos royalties, já comprometidos no orçamento e que garantem o equilíbrio financeiro do estado.