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Obama propõe orçamento que leva a déficit recorde

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Jornal do Brasil

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apresentou segunda-feira ao Congresso, a proposta de orçamento de seu governo para o próximo ano fiscal, que prevê um déficit recorde de US$ 1,56 trilhão em 2010 e contraria sua meta de manter a responsabilidade fiscal em meio à luta contra o desemprego que fechou 2009 em 10%. O rombo nas contas do governo previsto pela proposta representa 10,6% do PIB americano. Em 2011, o déficit cairia para US$ 1,26 trilhão, ou 8,3% do PIB.

A proposta prevê gastos de US$ 3,83 trilhões (cerca de R$ 7,14 trilhões) e inclui US$ 100 bilhões em estímulo fiscal para pequenas empresas investirem na criação de empregos. Para cada funcionário contratado, o pequeno empresário poderá descontar US$ 5 mil de impostos, limitado a US$ 500 mil por empresa. Vamos continuar a fazer o que for preciso para criar empregos , disse Obama, em pronunciamento na Casa Branca.

A perda de 7,2 milhões de empregos desde o início da recessão resultou em queda de arrecadação, o que contribuiu para o déficit, que atualmente é de US$ 1,41 trilhão, ou 9,9% do PIB. Outro fator foi o pacote de estímulo econômico no valor de US$ 787 bilhões anunciado em fevereiro do ano passado.

Cortes

Embora mantendo políticas destinadas a estimular a recuperação econômica, Obama tentará poupar dinheiro restringindo 120 projetos federais. Educação e pesquisa, no entanto, receberão mais investimentos. A economia está calculada em US$ 20 bilhões para o próximo ano fiscal.

Áreas consideradas mais dispendiosas no orçamento, como segurança nacional, saúde e seguridade social, não serão afetadas. O Congresso deve aprovar a proposta antes do início do ano fiscal, que vai de 1º de outubro de 2010 a 30 de setembro de 2011.

A proposta do governo incorpora uma reforma da saúde ainda não aprovada no Congresso. Para as guerras no Afeganistão e no Iraque, o orçamento prevê US$ 33 bilhões adicionais para 2010 e um total de US$ 160 bilhões em 2011. Já a arrecadação de US$ 646 bilhões resultante da limitação de emissões de carbono e comercialização de créditos para esse fim foi retirada da peça orçamentária, sinalizando que o governo duvida da sua aprovação parlamentar.

Obama pretende economizar US$ 250 bilhões nos próximos dez anos, congelamento, temporariamente, gastos em alguns programas domésticos. Não podemos continuar a gastar como se os déficits não tivessem importância , disse o presidente.

Esses US$ 250 bilhões, porém, representam menos de 3% do déficit total projetado até 2020, que é de US$ 8,53 trilhões.

Economistas dizem que a retirada prematura de políticas de estímulo fiscal contribuiu com o prolongamento da Grande Depressão na década de 1930. Obama não quer repetir o erro, mas também precisa convencer investidores, como China, de que tem um plano confiável para controlar déficit e dívida pública.

Com agências