Jornal do Brasil
DA REDAÇÃO - A Cosan, maior empresa do setor sucroalcooleiro do Brasil, está em negociações com a Shell para a formação de uma joint venture de cerca de US$ 12 bilhões para reunir operações de açúcar, etanol, distribuição de combustíveis e pesquisa. As empresas assinaram um memorando de entendimentos, seguindo o aumento de investimentos estrangeiros na indústria de biocombustíveis do Brasil.
A britânica BP adquiriu em 2008 participação de 50% na Tropical Bioenergia. A Bunge fez acordo em dezembro para comprar a Moema, por US$ 452 milhões. E a francesa Louis Dreyfus ampliou sua participação no setor ao assumir a Santelisa Vale no ano passado.
A visão da Cosan é se tornar uma líder global em energia limpa e renovável. O nosso tamanho, grau de sofisticação e estágio de desenvolvimento recomenda um parceiro que não apenas compartilhe estes objetivos, mas também tenha acesso a mercados internacionais , declarou o presidente do Conselho de Administração da Cosan, Rubens Ometto Silveira Mello, em comunicado.
A Cosan divulgou segunda-feira a obtenção de lucro líquido de R$ 167,1 milhões no último trimestre de 2009, ante ganho de R$ 5,2 milhões um ano antes. Esse resultado foi fortemente favorecido pelo reconhecimento de ganhos de Refis, no montante de R$ 211,6 milhões, e negativamente impactado por reduções nos volumes de venda de açúcar e etanol , informou a Cosan no balanço.
O memorando assinado pela Cosan com a Shell prevê negociações exclusivas por 180 dias para a formação da joint venture, que vai unir os negócios da Cosan de açúcar e etanol, incluindo co-geração de energia, com ativos de distribuição e comercialização de combustíveis da Shell no Brasil, além da participação da petrolífera em empresas de pesquisa e desenvolvimento a partir da biomassa.
Segundo o diretor financeiro da Cosan, Marcelo Martins, a parceria tem receita bruta anual estimada em R$ 40 bilhões. Pelo acordo, o valor dos ativos a ser transferidos pela Cosan à associação é de US$ 4,925 bilhões. A companhia ainda vai migrar dívidas líquidas de cerca de US$ 2,524 bilhões.
A Shell vai fazer em até dois anos aporte em dinheiro na joint venture de cerca de US$ 1,625 bilhão e valor contingente estimado em US$ 300 milhões ao longo de cinco anos, a título de contribuição adicional baseada em ganhos futuros da estrutura conjugada . Não foram divulgadas estimativas do valor da rede de distribuição da Shell no Brasil.
Segundo a Cosan, a associação deve ser implementada por meio da criação de duas companhias. Uma ficaria a cargo de açúcar, etanol e co-geração de energia. A outra, com os ativos de distribuição de combustíveis, que será a terceira maior do setor do país, com 4.500 postos de combustíveis no Brasil.
A Cosan já atua no setor de distribuição de combustíveis por meio da Esso, cujas operações brasileiras foram adquiridas em 2008 por aproximadamente US$ 1 bilhão.
Em dezembro, a empresa anunciou a compra da rede de distribuição da Petrosul, com mais 83 postos.