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Otimistas, consumidores brasileiros gastam com supérfluo

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Marta Nogueira, Jornal do Brasil

RIO - Os consumidores brasileiros estão mais dispostos a gastar dinheiro com produtos que não são de primeira necessidade, como artigos tecnológicos, viagens e reforma de residências. De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Nielsen, 49% consideram que 2010 será um bom ou um excelente momento para voltar a comprar supérfluos. Dos 29 países entrevistados, o Brasil ficou em terceiro lugar no ranking de otimismo em relação à recuperação econômica, atrás apenas da Índia e da Indonésia.

Especialistas acreditam que o bom momento é resultado da retomada da economia brasileira. De acordo com o estudo, no segundo semestre de 2009, 31% acreditavam que o Brasil não estava em recessão, já no quarto trimestre este número saltou para 64%. Dentre os supérfluos mais procurados estão artigos tecnológicos (43%), reformas em residências (40%), roupas (42%) e viagens (39%).

O economista da Universidade de São Paulo (USP) Nelson Barrizelli acredita que este resultado já era esperado. Quando a crise internacional foi anunciada (setembro de 2008) achávamos que o mundo ia acabar. Gradativamente, as pessoas foram percebendo que os problemas econômicos, enfrentados pelo mundo, não tinham nada a ver conosco , afirmou. As previsões sombrias se reverteram para um quadro favorável, com o aumento do salário mínimo e a volta do crédito .

Outros países latino-americanos tiveram resultados diferentes. No méxico, apenas 29% pretendem gastar com produtos não essenciais, e na Argentina, 33%. Já nos Estados Unidos, 31%.

Indicadores também mostraram que 75% dos brasileiros mencionam que as finanças pessoais estarão boas ou excelentes ao longo do ano e 66% têm perspectivas de encontrar um emprego melhor.

Para o economista da Associação Geral das Promotoras do Estado do Rio de Janeiro, Airton Calçada, o país vive um momento de excitação política, de grandes expectativas com eventos futuros, como Copa do Mundo e Olimpíadas, e condições favoráveis para o crescimento da economia e desenvolvimento do comércio.

Os consumidores estão buscando se livrar dos encargos típicos de início de ano, como IPTU e IPVA, para poder consumir declarou. Muitas vezes a solução procurada para quitar estas contas é adquirindo empréstimos, o que já está mais facilitado pela retomada do crédito.

Prioridades

Segundo a pesquisa, a maior preocupação dos brasileiros, atualmente, é com a qualidade de vida (16%). Além disso, 48% dos entrevistados declararam que, depois de cobrir as despesas, pretendem gastar o dinheiro com entretenimento fora de casa. Para o gerente de desenvolvimento de negócios da Nielsen Brasil, José Reinaldo Riscal, este comportamento abre grandes perspectivas de negócios.

De acordo com ele, o brasileiro, normalmente, tem um comportamento otimista.

Mesmo no primeiro semestre de 2009, quando vivíamos o auge da crise, o Brasil ficou em 11º no ranking de otimismo econômico disse Riscal. Foi o pior resultado que o país já teve.

Famílias com condições de contrair dívidas de consumo

Famílias brasileiras iniciaram 2010 com intenções de consumo elevadas e, com isso, grandes chances de endividamento. De acordo com pesquisas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), dos 18 mil entrevistados em todo o país, 60,2% estão endividados, mas somente 9,2% afirmam não ter condições de pagar em janeiro.

Para o economista-chefe da CNC e ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, o atual momento é de muito otimismo, mas é preciso cautela.

As famílias brasileiras estão satisfeitas com as condições atuais de renda e emprego. Por isso, se acham em condições de se endividar se for necessário avalia Gomes.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela primeira vez, indica que 13,5% dos consumidores se consideram muito endividados . Entre os que recebem até dez salários mínimos, essa avaliação sobe para 14,3% e entre os que ganham mais de 10 mínimos, 8,3% se consideram muito endividados.

A maioria dos entrevistados afirmam que o cartão de crédito é o maior meio para se endividar (67%). Em segundo lugar, estão os carnês (31,1%) e, em terceiro, o crédito pessoal (13,5%).

Outro estudo inédito, divulgada pela CNC, Pesquisa Nacional de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), que tem como objetivo antecipar o potencial das vendas do comércio nos próximos seis meses, apontou que as famílias iniciaram o ano satisfeitas com as condições atuais de emprego, renda e crédito e encontram-se mais propensas a ampliar seus gastos com consumo no curto prazo.