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Aéreas: abertura de mercado não significa passagens mais baratas

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Raphael Zarko, Jornal do Brasil

RIO - Antiga reivindicação do setor, a abertura maior para o capital estrangeiro (de 20% para 49%) às companhias aéreas brasileiras não vai significar necessariamente que as passagens vão baixar de preço. A avaliação é de alguns especialistas e consultores ouvidos pelo Jornal do Brasil, que são unânimes em reconhecer a importância de abrir os investimentos para o capital externo o que vai expandir ainda mais o mercado em um país com dimensões continentais.

Teremos mais concorrência, não podemos ter só duas grandes empresas em um país do tamanho do Brasil. Temos que ter no mínimo quatro e outras menores com boas condições, mas não é isso que vai fazer cair os preços afirma Leonel Rossi, diretor de relações internacionais da Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abav).

Para José Marcio Mollo, presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), o que vai ocorrer é um aumento do capital estrangeiro, com o poder de decisão mantido no mercado nacional. Para ele, o projeto, que ainda precisa passar pela Câmara antes de ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se explica pelo destaque brasileiro no mercado, que cresce ao mesmo ritmo do mercado asiático.

Não há dúvida que vai gerar mais empregos e mais renda. Mas temos outra questão, que é a da liberdade tarifária: onde as companhias brasileiras ainda perdem mercado para as de fora.

O consultor de aviação da Bain&Company, Andre Castellini, acredita que o benefício para o consumidor será indireto. Apesar de reconhecer na medida mais uma possibilidade de financiamento para uma empresa que precisa de tanto capital , ele não vê grandes impactos imediatos no mercado aéreo.

É uma medida positiva, que se mantiver realmente o controle das empresas pelos brasileiros, permitirá que elas garantam o interesse estratégico no setor.

Para o consultor, companhias aéreas como a Gol e TAM, as duas maiores do país, já competiam de com as marcas de fora do país, mesmo sem grandes investidores estrangeiros no mercado brasileiro ainda.

Essa limitação não era um problema de financiamento para as grandes empresas brasileiras. Claro que é uma medida saudável e necessária para fortalecer o setor, mas não vejo uma enxurrada de investimentos a curto prazo.

Justamente no momento em que há possibilidade de abrir as portas para capitais de fora do país, uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Economia do Turismo da Universidade de Brasília (UnB) mostrou, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a importância do setor aéreo na geração de emprego e renda no país. Segundo a coordenadora da pesquisa, Maria de Lourdes, tem de haver cuidado com a abertura para o investimento externo, para não tirar postos de trabalho de brasileiros.

Esse aumento da demanda não pode tirar parte da geração de postos de trabalho do mercado interno. Desde a indústria de alimentação até a de combustível, as companhias aéreas geram emprego e renda.