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'Étnicos 'e orgânicos, fontes não convencionais de divisas

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Jornal do Brasil

RIO - Não são só os produtos ditos exóticos que rendem boas divisas ao Brasil: há também duas outras categorias importantes, os 'étnicos' e os orgânicos. Étnicos são os que, sem serem jaboticabas, são quase que exclusividade brasileira: açaí, cachaça, pão de queijo, goiabada, panetone, queijo catupiri, geléias de frutas que não existem em qualquer outro lugar do mundo, pimentas especiais e em via de deslanchar para o mercado americano: o doce brigadeiro, indispensável em muitas festas infantis no Brasil.

Nesses casos, uma das principais metas mercadológicas são as comunidades latinas que vivem nos Estados Unidos, onde, segundo estimativas oficiais, vivem hoje pelo menos 2 milhões de brasileiros.

No caso, os esforços de exportação são coordenados pela Agência Brasileira de promoção de exportações (Apex), em trabalho conjunto com a Associação Brasileira de bebidas e Alimentos (Abba).

Alberto Bicca, gestor da Abba revela que o Projeto Organics Brasil agrupou empresas que se especializaram na exportação de produtos tipicamente brasileiros, em iniciativa com participação decisiva do Instituto de promoção do desenvolvimento da Federação das Indústrias do Paraná

Ainda nesta semana o projeto estará representado na Biofach Japão, a maior feira de produtos orgânicos da Ásia, que reúne 240 empresas de 24 países.

E não se trata de um sonho de realização distante: o projeto começou em 2005, com 12 empresas participantes e exportando algo em torno de US$ 9,5 milhões. Agora, no primeiro semestre deste ano, já agrupa 74 empresas, com exportações de US$ 36 milhões.

Um começo

Ming Liu, coordenador executivo do projeto Organics Brasil destaca que os números podem ser considerados um resultado inicial:

O Brasil tem que fazer um trabalho intenso no mercado asiático, em especial no japonês, que importa cerca de 80% dos alimentos que consome, com cerca de 10% desse mercado já dedicado a produtos orgânicos. há grandes oportunidades para produtos in natura e industrializados, como cosméticos, porém exige das empresas um trabalho de persistência e determinação para conquistar o consumidor final que, na maioria das vezes, acaba sendo o distribuidor local. Um bom relacionamento com ele é estratégico para o sucesso afirma o executivo.