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Grande poupador pode fugir do IR

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Ubirajara Loureiro , JB Online

RIO - A taxação de depósitos em poupança em valor superior a R$ 50 mil com uma alíquota de 22,5% do Imposto de Renda, embora não deva provocar uma migração maciça para outras modalidades de investimento, não deixará os poupadores desse porte ao relento, pois os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) oferecem rentabilidade idêntica, com a vantagem de liquidez diária. Isto é, o investidor fica livre para sacar o todo ou parte de seu depósito, sem perda de ganho e sem ter que esperar pela data de aniversário da conta, como nas cadernetas. Além disso, há a possibilidade de divisão dos recursos em contas diversas, por pessoas da mesma família, para fugir do IR.

A conclusão é de analistas de investimento consultados pelo Jornal do Brasil.

Hoje, 40% dos depósitos em poupança (um total de R$ 295 bilhões até fim de agosto) são constituídos por depósitos com valor acima de R$ 50 mil, que representam 1% do universo de contas em poupança.

Segundo Gilberto Braga, economista do Ibmec-Rio, uma primeira possi de manutenção dos ganhos seria quebra de CPFs ou seja, a divisão dos recursos entre pessoas da mesma família em contas com valor abaixo de R$ 50 mil.

Nuno Cruz, da Corretora e Banco de Investimentos Geração Futuro, é dos que não esperam grande movimentações entre os depositantes em poupança, e explica porque:

O público que aplica em poupança é predominantemente constituído por pessoas de mais idade, com perfil conservador, e que mantinha seus depósitos alí, mesmo quando os fundos de investimento, antes das quedas da taxa básica de juros, ofereciam rentabilidade muito maior explica Cruz.

A professora Myrian Lund, especialista em finanças pessoais da Fundação Getúlio Vargas, entende que poupadores com mais de R$ 50 mil não têm razões para preocupação:

Os bancos oferecem aplicações em CDBs com rentabilidade entre 90 e 95% da taxa básica de juros, que hoje está em 8,75% ao ano. Como a inflação estão em 4,5% é uma boa aplicação, com as mesmas garantias da poupança e com a vantagem de liquidez praticamente diária. Ou seja, os recursos podem ser sacados a qualquer momento sem perda de rentabilidade esclarece a professora. De acordo com ela, a única certeza é que todos devem fugir de fundos de renda fixa com taxa de administração superior a 1% ao ano, sob pena de prejuízo certo.

Paulo di Blasi, também economista do Ibmec-Rio, considera pouco provável a migração para a renda variável, dado o perfil conservador dos investidores em poupança e seu temor diante das oscilações normais no mercado de ações.