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TAM tem lucro recorde, vê demanda maior, mas ação cai

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REUTERS

SÃO PAULO - Um forte ganho no resultado financeiro da TAM fez o lucro da companhia disparar no segundo trimestre, mas uma margem de lucro negativa e perda de participação de mercado em julho pressionavam as ações da empresa para uma queda de mais de 6 por cento nesta sexta-feira.

A maior companhia aérea do país informou que o lucro líquido de abril a junho mais que dobrou em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 788,9 milhões, um recorde para a empresa.

Mas esse ganho foi catapultado por um salto no resultado financeiro, que ficou positivo em R$ 1,284 bilhão, contra receita financeira líquida de R$ 373,8 milhões um ano antes, ajudando a empresa a enfrentar queda na rentabilidade de voos domésticos e internacionais, yields e taxas de ocupação menores e fraqueza no segmento de cargas, por causa da menor atividade da economia.

- A empresa tinha dado uma indicação anterior que poderia ficar no equilíbrio, mas a margem (de lucro) negativa na casa de 6% ficou bem abaixo do que o mercado estava esperando. Aí houve o reforço dos dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) de julho, que mostraram crescimento menor que o da indústria - afirmou uma analista de um banco internacional que pediu para não ser identificada, sobre o desempenho das ações da empresa.

Na quinta-feira, a Anac divulgou que o tráfego de passageiros no Brasil disparou 25,68% em julho contra o mesmo mês do ano passado, mas a TAM registrou queda em sua participação, para 43,15%. Enquanto isso, a rival Gol, que vem concentrando operações no mercado interno, cresceu para 42,88%.

Em teleconferência com analistas, o presidente da TAM, David Barioni, afirmou que 'é natural que exista uma co-liderança no mercado doméstico, mas a busca principal nossa é a rentabilidade'.

Ele acrescentou que a empresa espera manter a taxa de ocupação de cerca de 67 por cento em suas aeronaves pelo restante do ano.

RECUPERAÇÃO DO MERCADO

A empresa, que no primeiro trimestre do ano havia reduzido sua estimativa de crescimento da demanda doméstica em 2009 de 5 a 9% para 1 a 5%, decidiu rever a previsão, elevando-a para expansão de 7 a 10%.

A revisão ocorreu depois que o mercado doméstico teve alta de 6,6% na demanda interna entre janeiro e julho.

'A partir de agora, volta com mais intensidade o tráfego menos sensível a preço, mais de negócios', afirmou o vice-presidente financeiro da TAM, Líbano Barroso, acrescentando que a empresa está encontrando espaço para elevar preços de tarifas (yields) no atual trimestre.

No primeiro semestre, a empresa sofreu queda de 8% nos yields sobre o mesmo período de 2008, mas com a recuperação na demanda a companhia prevê fechar este ano com yields cinco por cento menores que um ano antes.

Como sinal da retomada da indústria, após a alta de julho do mercado doméstico, a TAM está vendo uma expansão de 20% na demanda interna em agosto sobre igual período de 2008.

- Os yields estão se recuperando. As curvas futuras de reservas apontam para uma alta de 10% nos yields de julho e agosto no mercado doméstico sobre o segundo trimestre - afirmou Barroso. Na comparação com o mesmo período de 2008, porém, há queda de cerca de 15%.

Barroso acrescentou que a empresa manterá em 2009 política de distribuir 25 por cento do lucro líquido em dividendos.

CUSTOS RECUAM

A empresa registrou aumento de 3,6% nas despesas operacionais, atingindo R$ 2,451 bilhões. Já o índice Cask, que mede custos por assentos oferecidos, recuou 10,4%. As despesas com combustíveis caíram 37,3%, ajudadas pelo recuo dos preços na comparação com o mesmo período do ano passado.

Barioni reafirmou que a empresa mantém programa de redução de custos, mas não informou metas de economias para o ano.

A companhia sofreu queda de 6% no volume de passageiros transportados, para 7,086 milhões no segundo trimestre. Enquanto isso, o número de horas voadas por aeronave caiu 8,3%, a 11,6 horas.

A receita líquida totalizou R$ 2,298 bilhões, queda de 8,6% sobre o faturamento de R$ 2,514 bilhões um ano antes.

A empresa ampliou em 6,4% o número de funcionários da unidade TAM Linhas Aéreas, mas reduziu em 31,2% o quadro das operações no Mercosul.