Jornal do Brasil
RIO - O lançamento informal da campanha eleitoral de Meirelles ao governo de Goiás pelo presidente Lula, nesta semana, cria um precedente institucional ruim para o Banco Central e pode jogar alguma sombra sobre a credibilidade da política monetária.
Mas esse processo, segundo analistas, é atenuado pelo histórico da atuação de Meirelles, que nos últimos seis anos e meio resistiu a diferentes pressões no BC e teve uma atuação considerada estritamente técnica no controle da inflação e na acumulação de reservas.
O mercado vai começar a olhar para toda e qualquer decisão com uma pequena dúvida: será que há um viés político? É natural que haja uma desconfiança disse o diretor-executivo da agência de risco Fitch no Brasil, Rafael Guedes. Mas isso é mitigado pelo histórico impecável de Meirelles. Ele nunca se desviou por nenhum milímetro de decisões técnicas.
Pelas regras eleitorais, Meirelles tem até março para deixar o cargo caso confirme a intenção de encarar uma disputa política, o que ainda não ocorreu. Antes disso, até o final de setembro, ele teria que se filiar a um partido político.
A faceta política do presidente do BC, contudo, ganhou uma dimensão maior a partir da quinta-feira, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu abertamente sua candidatura ao governo de Goiás durante viagem a Anápolis, berço político do goiano Meirelles.
Meirelles acompanhava Lula na viagem e estava presente em palanque durante discurso do presidente. Questionado por jornalistas, não confirmou a candidatura e reiterou que seu foco no momento é o Banco Central.
Uma semana antes, após audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Meirelles também havia sido obrigado a responder perguntas de repórteres sobre seus planos políticos depois que diversos senadores defenderam publicamente sua candidatura.
Para Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do BC, a associação explícita de Meirelles a uma disputa política é um precedente institucional que deve ser evitado.
Disputa do setor privado
Meirelles, afirmou sexta-feira que os bancos públicos tiveram uma importante ação anticíclica no Brasil, com expansão do crédito num momento de crise global. Após palestra em um evento do BC em São Paulo, o presidente da autoridade monetária afirmou ainda acreditar que o setor privado vai voltar a disputar mercado.