Jornal do Brasil
REUTERS - O forte crescimento do crédito e a receita extra com a venda de ações da VisaNet turbinaram o lucro do segundo trimestre do Banco do Brasil, que também retomou a liderança no ranking de ativos, voltando a superar o Itaú Unibanco.
O banco estatal fechou o período de abril a junho com lucro líquido de R$ 2,348 bilhões de reais, um crescimento de 42,8. O número inclui a receita de R$ 1,4 bilhão com a venda de parte das ações que o grupo detinha na administradora de cartões VisaNet, em junho.
O lucro trimestral recorrente do BB foi de R$ 1,727 bilhão, avanço de 18%. A principal alavanca foi a carteira de crédito, que cresceu 32,8% em 12 meses encerrado em junho, para R$ 252,485 bilhões.
O destaque foram os empréstimos à pessoa física, que deram um salto de 69% em 1 ano, para R$ 68,47 bilhões, com impulso do consignado, cujo montante disparou 111%. Com isso, a carteira de varejo do banco pela primeira vez superou a do agronegócio, que cresceu apenas 9,7% por cento e chegou a R$ 67,6 bilhões.
Resultado da combinação de crescimento do crédito com a consolidação de bancos estaduais comprados recentemente, como Besc (Santa Catarina), BEP (Piauí) e Nossa Caixa (São Paulo), o BB encerrou o primeiro semestre com R$ 598,8 bilhões de reais em ativos, um incremento de 43,9% em 12 meses, o que o levou a retomar a liderança do setor bancário no país.
O Itaú Unibanco, que havia assumido a liderança ao emergir de uma fusão em novembro de 2008, reportou alta no lucro, porém mais modesta.
A rentabilidade sobre patrimônio líquido recorrente no segundo trimestre foi de 23,7% ante índice de 24,6% registrado um ano antes.
De quebra, o índice de inadimplência do banco, embora tenha crescido de 2,5% para 3,3% por cento em 12 meses, ficou bem abaixo da média de seus principais rivais. O índice do Bradesco, por exemplo, ficou em 4,6%.
Alheios à guerra de palavras entre governo e bancos privados, analistas receberam os resultados do BB com elogios.
A qualidade dos ativos (do BB) foi mais resiliente que a apresentada por seus concorrentes _ disse em relatório o Bank of América Merrill Lynch, ao elevar o preço-alvo das ações do banco estatal.
O resultado do BB veio acima das expectativas fez coro a corretora Ativa, também em relatório.
Segundo o vice-presidente de Finanças do BB, Ivan Monteiro o BB vai manter a previsão por acreditar que a carteira de crédito para empresas possa desacelerar no atual semestre.
Achamos que, no segundo semestre, a concorrência vai ser mais apertada disse. - Nossa política de taxa de juro é plenamente sustentável.