Telecomunicação reduziu oferta de emprego após privatização

Agência Brasil

BRASÍLIA - Passados dez anos do processo de finalização da privatização no setor de telecomunicações, concluído em 1997, as empresas empregam menos trabalhadores agora do que no período em que o comando das atividades estava a cargo das estatais. É o que aponta um estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego.

Nesse trabalho, denominado "O Emprego no Setor de Telecomunicações Após a Privatização", o Dieese analisou dois períodos: de 1994 a 2005 e de 2006 a 2007. Nos primeiros quatro anos, foi constatada queda de 16% nas vagas, o que é justificada pela preparação de transferência do setor público para o privado, concluído em 1997. Nesse período, ocorreram tanto os programas de demissão voluntária (PDVs) quanto a terceirização de serviços, entre as quais estão as áreas de vigilância e de limpeza.

De 1999 até 2005, ocorreram quatro baixas seguidas com o pior resultado, em 2003, quando o quadro recuou para 88,1 mil postos de trabalho formais ante 106,4 mil, em 2002, e 128,5 mil, em 1994. Houve uma recuperação em 2005, com 118,1 mil empregos, mas ainda assim 8,1% inferior ao maior volume da série histórica (1994).

Além disso, foram verificadas mudanças no perfil de contratações, com um aumento da participação da mão de obra feminina e de absorção de trabalhadores com curso superior. Do total de empregados pelo setor, em 1997, elas somavam 34,7%, percentual que pulou para 41,1%, em 2005. Em 2007, 63% dos cargos eram ocupados por homens e 37% pelas mulheres.

Outro aspecto apontado pela pesquisa é a preferência por candidatos mais jovens. O preenchimento de vagas na faixa até 24 anos, que atingia 10,8%, em 1997, subiu para 23,8%, em 2005. com idade média do quadro passando de 37,6 anos para 31,9 anos. Em 2007, predominava a faixa entre 25 e 39 anos.

Quanto ao nível de escolaridade, 19,8% dos aprovados nos testes de seleção, em 1997, tinham o concluído o ensino superior. Já oito anos depois, em 2005, esse universo aumentou para 35,2%. No entanto, em 2007, as ocupações mais representativas do setor não exigiram que o trabalhador tivesse nível superior de escolaridade. A procura maior foi para as funções de escriturários, agentes, assistentes e auxiliares administrativos (13%, seguido de técnicos em telecomunicações (13%) e operadores de telemarketing (11%).

Os salários médios pagos não acompanharam essa evolução, conforme o estudo. Nos primeiros anos da série a remuneração alcançava a média de R$ 3.100 mensais, valor que caiu para R$ 2.757, em dezembro de 2007, ano em que o total de empregados somou 123 mil pessoas. Entre 2006 e 2007, aumentou em 53%, o total de empregados com baixa remuneração entre um e dois salários mínimos.

Apesar de indicar um movimento de recuperação no emprego, a partir de 2003, o estudo revela ainda que as ofertas estão bastante concentradas na Região Sudeste (69%) com quase a metade das contratações (45%) realizadas em São Paulo e 17%, no Rio de Janeiro. No Sul do país foram identificadas 14% das vagas, no Nordeste, 8%, e no Norte, 2%.