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Retorno de aplicações é uma das vantagens da valorização do real

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Natália Pacheco, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - A valorização de 17% do real frente ao dólar no primeiro semestre deste ano ao mesmo tempo que atrai investidores estrangeiros para o país, intensifica os efeitos da crise financeira internacional na indústria brasileira. Com a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) que começou nesta terça e termina nesta quarta-feira o debate sobre as vantagens e desvantagens da atual taxa de câmbio se intensifica, já que cortes na Selic influenciam a cotação das moedas brasileira e americana.

No curto prazo, a vantagem imediata é o freio na inflação. O economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), Salomão Quadros, explica que com a valorização do real, os preços sobem mais devagar e podem até cair, se houver um movimento de queda das taxas de juros. E isso acontece no Brasil. Desde janeiro, o Copom já cortou a Selic em 4,5 pontos percentuais de 13,75 para 9,25 e como consequência, o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP M) voltou a registrar deflação de 0,27% em meados de julho.

A volta de fluxos cambiais para o país também está entre os pontos positivos. Segundo a economista chefe do banco ING, Zeina Latif, o retorno de investimentos diretos no país, captação de empresas e negociações com ações de companhias brasileiras é uma prova de que o investidor estrangeiro aposta no Brasil devido aos fundamentos mais robustos da economia.

A crise foi muito didática nesse sentido. Os investidores passaram a distinguir melhor os países emergentes. E o Brasil saiu vantajoso nessa escolha porque as condições da economia são definidas e claras ressaltou a executiva.

A reboque da entrada de fluxos cambiais estrangeiros, o Banco Central compra o excedente dos negócios para acumular reservas internacionais volume em dólares que o governo guarda em caixa para usar em momento de crises. O montante bateu recorde na semana passada, ao atingir R$ 209,576 bilhões. O pico anterior foi registrado no dia 6 de outubro do ano passado, com R$ 209,386 bilhões.

O acúmulo de reservas não é a única blindagem a ser utilizada em momentos de turbulência econômica, mas está entre as mais importantes salientou Zeina.

Mas nem tudo são flores

Apesar da controle da inflação, aumento das aplicações estrangeiras e acúmulo de reservas, as desvantagens atingem em cheio a economia, principalmente no que diz respeito a desemprego.

A queda do dólar afeta a competitividade dos produtos brasileiros, principalmente os manufaturados. O efeito imediato é a redução das exportações desses bens. Além disso, a importação de bens intermediários aumentam porque além de preços menores, as empresas estrangeiras oferecem melhores formas de pagamento, o que aumenta a atratividade dos importados.

O real alto é catastrófico para o comércio exterior. Com a queda das importações de manufaturados, a indústria brasileira para de produzir, corta investimentos e demite destacou o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Mas a maior preocupação do economista chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, é a expectativa de desvalorização do real quando a moeda fica excessivamente valorizada. Para manter a inflação em níveis ideais, o Banco Central pode manter a Selic alta diante da perspectiva de forte retração da cotação da divisa brasileira.

Esse é o maior problema. Com medo de instabilidade dos preços futuros, o BC pode interromper os cortes da taxa. Apesar das últimas reduções, a Selic ainda está muito elevada explica o economista.

O professor de Economia da Trevisan Escolas de Negócios, Antônio Colangelo Luz, prevê que o dólar deve fechar o ano a R$ 2.