Jornal do Brasil
WASHINGTON - Os Estados Unidos teriam comprometido até US$ 23,7 trilhões para enfrentar a pior recessão em décadas no país e apoiar o debilitado sistema financeiro, disse nesta segunda-feira um auditor governamental.
Segundo Neil Barofsky, inspetor-geral especial do Programa de Socorro a Ativos Depreciados (Tarp na sigla em inglês), o enorme apoio do governo inflou nos nove meses desde a criação do Tarp, inicialmente avaliado em US$ 700 bilhões.
Maciço e importante como é o Tarp por si só, representa, simplesmente, uma parte de um esforço muito mais amplo do governo federal para estabilizar e sustentar o sistema financeiro disse Barofsky, de acordo com trechos de depoimento que fará nesta terça-feira ante um comitê da Câmara de Representantes.
De programas que envolviam grandes aportes de capital a centenas de bancos e outras instituições financeiras, passando por um programa destinado a modificar milhões de hipotecas e empresas público-privadas que utilizam dezenas de bilhões de dólares do contribuinte para comprar papéis podres dos bancos, o Tarp evoluiu para um programa de alcance, escala e complexidade sem precedentes.
O total potencial do apoio do governo federal pode alcançar os US$ 23,7 trilhões frisou o funcionário.
A Casa Branca avaliou nesta segunda-feira que a economia americana não está no ponto em que qualquer um espera que esteja e, em decorrência disso, a situação orçamentária do ano fiscal de 2009 deve ser mais desafiadora.
Espero que a situação orçamentária se torne mais desafiadora disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.
Gibbs negou que a Casa Branca esteja tentando adiar a divulgação de notícias ruins sobre o déficit ao atrasar a revisão orçamentária de meados do ano até agosto.
O presidente do Federal Reserve de Atlanta uma das 12 divisões regionais do BC americano Dennis Lockhart, afirmou nesta segunda-feira que a recuperação econômica no país será lenta, e a probabilidade de vir acompanhada de inflação é pequena.
Com frequência, uma profunda recessão é seguida de forte recuperação dos negócios e da atividade econômica global. Infelizmente, na minha projeção para o futuro, não prevejo tal trajetória disse Lockhart.
Dilma nos EUA
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, participa nesta terça-feira, nos EUA, do segundo dia de reunião com ministros, secretários de governo e empresários brasileiros e americanos. O encontro será encerrado pelo presidente Barack Obama. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge também participa do evento.
A 4ª Reunião do Fórum de Altos Executivos de Empresas do Brasil e dos Estados Unidos ocorre em Washington e tem na pauta temas como o acordo bilateral para evitar a dupla tributação, a facilitação na concessão de vistos e as negociações da Rodada Doha. Participam dirigentes das empresas Gerdau, Vale, Embraer, Coteminas, Odebrecht, Votorantim Participações, Sucocítrico Cutrale, Camargo Côrrea, Stefanini IT Solutions e Banco Safra.
FMI: US$ 250 bi para membros
O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou nesta segunda-feira que a diretoria executiva do órgão apoia a alocação de US$ 250 bilhões em Direitos Especiais de Saque (SDR, na sigla em inglês, a moeda do FMI) para membros do Fundo. A alocação seria utilizada para aumentar as reservas internacionais dos 186 países do FMI, mas ainda precisa ser aprovada por membros com poder de voto do Conselho Diretor.
O Conselho Diretor deve votar sobre a alocação no dia 7 de agosto, com a possibilidade de entrada em vigor em 28 de agosto. Cada país-membro nomeia um diretor para o Conselho, órgão de tomada de decisões mais elevado do FMI. Quase US$ 100 bilhões da nova alocação irão para países emergentes e em desenvolvimento, informou o FMI em comunicado. Países de baixa renda receberão US$ 18 bilhões.
A alocação de SDR é parte importante da resposta do Fundo à crise global, oferecendo apoio significativo aos membros nesse período difícil , disse o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, no comunicado.
A alocação faz parte de um plano de US$ 1,1 trilhão acordado pelo G-20 grupo das 20 maiores economias do mundo em Londres, em abril, para lidar com a crise por meio do restabelecimento do crédito, crescimento e emprego na economia mundial. A operação deve aumentar a alocação total dos membros de US$ 33 bilhões ao equivalente a cerca de US$ 283 bilhões.