Analistas esperam nova baixa de juros

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Analistas de mercado consultados semanalmente pelo Banco Central (BC) esperam que taxa básica de juros, Selic, chegue a 9,15% ao ano ao final de 2010, e não mais a 9,25%, como previsto anteriormente. A informação é do boletim Focus, divulgado segunda-feira pelo BC. Os analistas não mudaram, no entanto, as projeções para a Selic ao final deste ano e neste mês, quando ocorre reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, marcada para terça e quarta-feira. As estimativas são de 9% e 9,5%, respectivamente.

Atualmente, a taxa básica está em 10,25% ao ano. A Selic é usada pelo Banco Central como instrumento para controlar a inflação. Quando a inflação está em alta, o BC sobe a taxa, e faz o inverso quando os preços estão em baixa. A previsão dos analistas de mercado para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano também não foi alterada e permanece em 4,33% há três semanas.

Para 2010, os analistas mantêm a estimativa de 4,30%, há duas semanas. As expectativas para os dois anos estão abaixo do centro da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) de 4,5%. A meta tem margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos, ou seja, o limite inferior é de 2,5% e o superior de 6,5%. Quanto aos demais índices, as projeções para este ano estão em queda. Para o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), os analistas alteraram a estimativa de 1,82% para 1,80%. Para o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), a expectativa caiu de 1,47% para 1,46%. No mercado paulista, o Índice de Preço ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) deve ficar em 4,29% e não mais em 4,33%.

Para 2010, as projeções dos três índices ficaram em 4,5%. A expectativa para os preços administrados em 2009 caiu de 4,35% para 4,30% e mantida em 4% em 2010. Os preços administrados referem-se aos valores cobrados por serviços monitorados (combustíveis, energia, telefonia, medicamentos, água, educação, saneamento, transporte urbano).

Novo corte

A atual rodada do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se inicia sob a expectativa de que a taxa básica de juros, atualmente em 10,25% ao ano), seja reduzida para um dígito.

Em sua última reunião, entre 27 e 29 de abril, o Copom reduziu em um ponto percentual a Selic, que estava no patamar de 11,25% ao ano. Com isto, deixou a taxa no seu nível mais baixo dos últimos 13 anos.

Não há dúvida de que as taxas serão novamente reduzidas, ante o espaço de manobra que oferece o cenário relativo à inflação, e também pelos sinais que figuram nas atas da última sessão do Comitê disse o economista do Banco Schahin Silvio Campos Neto.

Para o analista, depois de cortar um ponto la taxa Selic em sua última reunião, o Copom poderia optar agora por corte de 0,75 ponto percentual, deixando a taxa em inédito nível de 9,75% ao ano.

Se a reunião do Copom em abril foi marcada por pressões por uma redução, em vista da crise internacional, a presente sessão sofrerá influência do anúncio sobre o PIB negativo do primeiro trimestre: falando segunda-feira a empresários, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reiterou:

O PIB do primeiro trimestre será negativo. Mas trata-se de um número do passado afirmou, reafirmando que espera crescimento econômico gradual, entre 3% e 4% no último trimestre de 2009. Para este ano, o ministro projeta crescimento de 1%.