De todos os cantos do planeta, as notícias reforçaram as perspectivas de que a crise ainda não está próxima de um fim. Na zona do euro, a produção industrial recuou 2% em março, ao passo que na União Europeia, a queda foi de 1,9% no mesmo período. Na China, o governo anunciou crescimento da produção industrial em 7,3% em abril na comparação anual, entretanto, o número ficou abaixo das projeções, mostrando perda de dinamismo da economia. Já nos Estados Unidos, as vendas no varejo recuaram em abril pelo 2º mês consecutivo, com a redução dos gastos dos consumidores, não confirmando os anúncios de que a economia esteja começando a recuperação. A queda foi de 0,4%.
Para o diretor operacional da corretora NGO, Francisco Gimenes Neto, além da piora externa em si, a mudança de estratégia dos bancos que operam com câmbio é o que sustenta a alta nas cotações do dólar.
"Os detentores de posições compradas no mercado à vista e participantes na posição vendedora do swap cambial reverso - que vencem no início de junho - estão buscando primeiro desmontarem as suas posições, vendendo-as ao BC nos leilões a preço ajustado para garantir ganho e, então, posteriormente, já que há tempo até o final do mês para apreciarem o real a ponto de obter o ganho com as operações vencidas de swap", observa.
No entanto, a enxurrada de dólares que entra no Brasil, em busca de oportunidades de ganho na Bovespa e também na renda fixa, onde os juros ainda são bastante atrativos diante das taxas próximas de zero nas economias desenvolvidas, mantém o viés de baixa para o câmbio, que deve continuar sendo pressionado para o nível de R$ 2. Hoje, pelo quarto dia consecutivo, o BC comprou dólares no mercado à vista com o intuito de recompor as reservas internacionais.
(Simone e Silva Bernardino - InvestNews)