Ibovespa cai 3% com blue chips e cena externa

SÃO PAULO, 13 de maio de 2009 - Por mais uma sessão, a bolsa brasileira segue influenciada pelas principais praças acionárias mundiais e passa por realização de lucro. Além disso, as blue chips também afetam o desempenho do Ibovespa, uma vez que os preços das commodities estão em queda no mercado internacional. Há pouco, o índice acionário da BM&FBovespa recuava 3,10%, aos 48.764 pontos. O giro financeiro estava em R$ 2,68 bilhões.

"Na ausência de notícias positivas, os principais mercados acionários mundiais continuam realizando lucro. E o Ibovespa segue no mesmo caminho, uma vez que no mês passado houve uma alta expressiva", avalia Pedro Roberto Galdi, analista de investimento da SLW Corretora.

Com os preços das matérias-primas em declínio, as ações com grande participação no índice de referência do mercado operaram em queda na primeira etapa dos negócios. Instantes atrás, os papéis preferenciais da Vale, Usiminas e Gerdau registravam desvalorização de 3,56%, 3,79% e 5,01% respectivamente.

Ainda no âmbito doméstico, a Cyrela Brazil Realty (CYRE3) anunciou lucro líquido R$ 100,5 milhões no primeiro trimestre de 2009, o que mostra um avanço de 46,6% em relação ao mesmo período de 2008. Há pouco, as ações ordinárias da companhia operavam em queda de 7,95%.

Já no front externo, os investidores repercutem os resultados da ING. A instituição registrou prejuízo líquido de ? 793 milhões (? 0,39 por ação) nos três primeiros meses deste ano. O mercado esperava uma perda em torno de ? 553 milhões no período.

Nos Estados Unidos, o Bank of America confirmou hoje a venda de sua participação de 5,8% no capital do banco chinês China Construction Bank (CCB), em uma operação que lhe garantirá US$ 7,3 bilhões. Além disso, especulações no mercado levantam a possibilidade Bofa ter de vender sua participação de cerca de 5% do capital total do ItaúUnibanco, com valor aproximado de US$ 3 bilhões. Isso porque, especula-se que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) estaria ou não obrigando a instituição a desfazer suas posições frente a necessidade de levantar US$ 34 bilhões, resultado dos testes de estresse.

"É provável que, seguindo a mesma linha de raciocínio, o Bank of America possa vender essa participação uma vez liberado para tanto. No entanto, o potencial ganho é pequeno. Nossos analistas acreditam que só faria sentindo para a instituição vender sua participação no Itaú nesse momento se este pudesse registrar um ganho na posição", conforme relatório da Bradesco Corretora.

Ainda pela manhã, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou que planeja reabrir o fundo de resgate de US$ 700 bilhões a bancos pequenos, uma vez que os maiores pagaram de volta ao governo parte do dinheiro recebido.

Os agentes também acompanharam os dados econômicos norte-americanos. As vendas no varejo caíram 0,4% em abril deste ano, frente ao mesmo anterior. O mercado esperava uma estabilidade. Já os estoques de petróleo recuaram 4,7 milhões de barris na última semana, face a semana anterior, para 370,6 milhões de barris.

(Déborah Costa - InvestNews)