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Altas taxas de bancos ao largo da discussão

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Gabriel Costa, Jornal do Brasil

RIO - Especialistas aprovaram com ressalvas a decisão do governo de tributar contas de poupança com saldo superior a R$ 50 mil, a partir de 2010. Entre as questões que geram discussão estão o possível caráter temporário da medida e a crítica de que o verdadeiro problema relativo à atratividade dos fundos de investimento estaria nas altas taxas de administração cobradas pelos bancos, e não na redução da taxa Selic.

Uma taxa de administração de 4% não é justificável porque não há risco na operação. Se nada fosse feito, os fundos perderiam a rotatividade, mas o problema não está resolvido. A forma adotada é paliativa, transitória diz o professor Fernando Nogueira da Costa, da Universidade de Campinas (Unicamp).

Segundo o economista, que foi vice-presidente de Finanças e Mercado de Capitais da Caixa Econômica Federal, a prioridade é permitir que a Selic chegue a um patamar compatível com o resto do mundo, mas o governo precisa cobrar uma contrapartida dos bancos, na forma de menores taxas de administração voluntárias. Se isso não ocorrer, sugere, uma alternativa seria o estabelecimento de um teto para as instituições.

Para a professora de finanças Myriam Lund, da Fundação Getulio Vargas (FGV), no entanto, a medida trará, por si só, a redução das taxas dos bancos, por meio da concorrência.

Um ponto positivo dessa situação toda é que as pessoas acabam se educando financeiramente. Os clientes vão começar a perguntar a taxa de administração e a redução vai acontecer naturalmente ressalta a especialista.

Recomendações

Na situação atual, a professora recomenda a quem tem dinheiro na poupança não tomar nenhuma atitude imediata, e aguardar possíveis novas informações do governo. Já aqueles com investimentos em bancos que cobram acima de 2% de taxa de administração, segundo Myriam, devem considerar migrar para a poupança ou, no caso de uma aplicação acima de R$ 50 mil, para um Certificado de Depósito Bancário (CDB). Nesse caso, o consumidor deve negociar um recebimento acima de 90% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI).

O coordenador do Grupo de Análises e Projeções (GAP) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Roberto Messenberg, considera que a abordagem do governo foi uma resposta adequada à discussão entre mexer ou não na remuneração da poupança.

Agora há espaço para reduzir a Selic sem que a questão da remuneração seja impeditiva diz Messenberg.

O técnico do Ipea avalia que a questão da taxa de administração dos bancos independe da baixa da Selic. Segundo Messenberg, esse é um outro problema da economia brasileira, que, nesse momento, foi contornado.

A Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid) disse, em comunicado à imprensa, que as mudanças são um primeiro passo para adequar o mercado financeiro aos novos níveis de taxas de juros.

Esse é mais um movimento na tentativa de remover mecanismos criados em um contexto de inflação alta, no qual uma rentabilidade nominal de 6% era considerada piso de mercado , diz a nota da Anbid.

Já o economista José Carlos de Assis, professor e presidente do Instituto Desemprego Zero, acredita que a própria discussão sobre a questão da poupança e fundos de investimento está mal enfocada.

Dentro da discussão geral, o que está distorcido é o uso da Selic como indexador da dívida pública diz Assis.