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SÃO PAULO, 12 de maio de 2009 - Ações do setor sobem em média 21,3% na semana

Na semana passada, as ações do setor de papel e celulose tiveram uma alta média de 21,3% no índice acionário da BMF&Bovespa. Os papéis da Aracruz configuraram o destaque positivo do Ibovespa por três dias consecutivos. Por sua vez, a Votorantim Celulose e Papel (VCP) permaneceu por dois dias.

Na terça-feira, as ações preferenciais da Aracruz subiram 13,57%, a R$ 3,18; já as da VCP avançaram 12,02%, a R$ 22,91. Seguindo a mesma direção, na quarta-feira a Aracruz teve valorização de 13,52%, a R$ 3,61; e a VCP ganhou 10,86%, a R$ 25,40. O movimento foi influenciado pela elevação do preço-alvo da Aracruz e da Klabin pelo Goldman Sachs.

Já na quinta-feira os papéis da Aracruz e da VCP atingiram um pico de queda, o que não encobriu a visibilidade sobre as companhias. As ações da Aracruz marcaram desvalorização de 10,80%, enquanto os papéis da VCP perderam 11,02%. Segundo Denise Messer, analista da Bracan Corretora de Títulos e Valores, a tendência negativa foi resultado da realização de lucro, uma vez que o cenário para o setor é positivo nesse momento.

Na sexta-feira, as ações da Aracruz voltaram a registrar um pico de alta, encerrando pregão com valorização de 8,70%, a R$ 3,50. Segundo Peter Ping Ho, analista de investimento da Planner Corretora, o desempenho dos papéis da Aracruz está associado ao término das negociações com a VCP, o que também é refletido na performance da mesma. Ho explica ainda que a desvalorização do dólar também influi, uma vez que reduz a dívida da empresa com às operações de derivativos.

Contudo, o cenário para o setor de papel e celulose é favorável. "Os preços estão reagindo e a demanda da China aumentou", disse Bruno Rezende, analista da Tendências Consultoria Integrada. De acordo com a consultoria independente finlandesa Foex, o preço da celulose de fibra longa aumentou 0,43% na semana encerrada em 05 de maio, para US$ 582,30 por tonelada. Já o preço da celulose de fibra curta avançou 0,03%, para US$ 483,05 por tonelada.

Além disso, "o fechamento de capacidade de produção vai sustentar o preço no exterior", disse Messer. No primeiro trimestre de 2009, o fechamento de capacidade somou 2,7 milhões de toneladas de celulose. Para o próximo trimestre, analistas apontam um fechamento de capacidade adicional de até 2,5 milhões de toneladas celulose.

Quanto a China, Rezende explica que o país está repondo seus estoques, que foram consumidos ao longo do ano passado. Diante disso, as exportações brasileiras de celulose totalizaram 788 mil toneladas em abril, o que representa um crescimento de 41% em relação a março. "Grande parte desse volume foi puxado pela China", afirmou.

Outro fator que sustenta o crescimento das importações da China é a expectativa de crescimento do seu Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Mesmo assim, Rezende afirma que essa tendência de forte crescimento das importações será mantida por mais um ou dois meses, depois "a taxa de crescimento das importações vai desacelerar".

(Micheli Rueda - InvestNews)