Venda de máquinas despenca no trimestre

RIBEIRÃO PRETO (SP), 28 de abril de 2009 - O setor de máquinas chegou ao fundo do poço em março. As palavras são do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luis Aubert Netto, presente na Agrishow 2009, em Ribeirão Preto (SP). As vendas no mês caíram 20%, segundo dados da entidade. As máquinas e implementos agrícolas seguiram o mesmo caminho e terminaram o primeiro trimestre do ano com queda de 44% no faturamento.

"As máquinas agrícolas já são isentas do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado), mas isso não é suficiente", diz o presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Abimaq, Celso Casale. Segundo ele, como as matérias-primas para a fabricação das máquinas são tributadas "a redução do IPI pouco alivia".

Assim como o faturamento, as exportações dos equipamentos agrícolas também recuaram 44%, enquanto que as importações cresceram 4,8%, apesar do câmbio desfavorável. "Houve uma invasão de produtos importados, sem condições iguais de impostos. Além disso, com a queda das vendas nos países de fora, há muita oferta, o que reduz o preço do produto importado", fala Casale. De acordo com ele, algumas máquinas são vendidas abaixo do preço de custo. "Isso é dumping ".

E mesmo com a queda brutal do faturamento, os empregos foram mantidos no segmento agrícola, o que não aconteceu em outros setores. Desde setembro, início da crise financeira, a cadeia de máquinas demitiu 15 mil pessoas. "Se nada for feito, mais 60 mil demissões ocorrerão até setembro", conta o Luiz Aubert.

De acordo com o presidente da Abimaq, é necessário haver desoneração do investimento. "Em outros países há incentivo para investir." Aubert conta que os juros altos, a carga tributária e o câmbio são os principais motivos que prejudicam o desempenho do setor. "Queremos o câmbio valorizado para ter isonomia e não proteção." Os diretores da Abimaq não acreditam em recuperação das vendas em abril.

(Sérgio Toledo - InvestNews)