Jornal do Brasil
NOVA YORK - A propagação da gripe suína representa péssima notícia não só para a saúde mundial, mas também para a já debilitada economia do planeta. As informações sobre o avanço da doença derrubaram bolsas, moedas e preços de commodities nesta segunda-feira, ao aumentarem ainda mais a aversão ao risco.
Estimativa do Banco Mundial do ano passado revela que uma pandemia de gripe pode custar cerca de US$ 3 trilhões e provocar uma retração de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do planeta.
China, Indonésia e Filipinas proibiram importações de carne de porco do México e dos Estados Unidos, embora departamentos de saúde e entidades tenham dito que o consumo da carne é seguro, desde que devidamente cozida. Seis países suspenderam a importação de produtos e carnes suínas de partes dos EUA, segundo o escritório do Representante de Comércio do país.
Restrições para carne e produtos suínos ou quaisquer produtos bovinos dos EUA resultantes do recente surto não parecem estar baseadas em evidências científicas e podem resultar em violações comerciais sérias sem motivo , disse o escritório em comunicado. Os EUA exportaram cerca de 147 mil toneladas de carne de porco para a China continental no ano passado.
Os índices acionários, que abriram ontem em forte baixa, tiveram as perdas amenizadas pelos ganhos de companhias farmacêuticas. Papéis de companhias aéreas e empresas do setor de turismo estiveram entre os que mais perderam. Ações do setor de alimentos, especificamente produtos suínos, também estiveram entre os mais vendidos. Puxada pelas ações de empresas de commodities, a Bovespa caiu 2,04%, aos 45.819 pontos. O dólar subiu 1,37%, vendido a R$ 2,221.
Em Nova York, as ações da farmacêutica britânica Glaxo Smithkline subiram mais de 7%, enquanto as da Roche avançaram 4%. Ambas fabricam drogas contra variantes da gripe. A Glaxo informou ontem que forneceu 100 mil pacotes do remédio Relenza e 170 mil doses adicionais de vacina de gripe sazonal às autoridades mexicanas desde a eclosão da doença. Já a Roche afirmou estar pronta para enviar o medicamento antiviral Tamiflu aos países com casos confirmados da gripe suína. O laboratório informou que armazena metade de suas doses na Suíça e a outra metade nos EUA. Em 2006, o laboratório doou 5 milhões de doses de Tamiflu à Organização Mundial de Saúde (OMS).
Os contratos futuros de etanol perderam valor nos EUA, com a preocupação de que o avanço da gripe suína diminua a demanda por biocombustíveis. O preço do milho, ingrediente básico para a produção do etanol americano, caiu, assim como os de petróleo bruto e gasolina americanos.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, declarou à imprensa que os países mais pobres são especialmente vulneráveis a uma possível pandemia.
Este ano, eles foram fortemente abalados por outras crises: a de alimentos, a de energia, a da economia global, as mudanças climáticas. Devemos garantir que não sejam também duramente atingidos por uma potencial crise de saúde , afirmou Ban Ki-moon em comunicado.
Agravamento da crise
O economista José Ricardo Bernardo, da Guedes & Pinheiro Consultoria Internacional, alerta que o desvio de recursos para gastos com saúde por parte dos governos, embora inevitável, pode agravar o cenário de crise econômica, quando investimentos em infraestrutura são fundamentais.
Toda vez que uma epidemia como essa tem efeitos tão drásticos, afeta a economia diz Bernardo.
O secretário da Fazenda do México, Agustín Carstens, informou que o Banco Mundial vai emprestar US$ 205 milhões ao país para ajudar no combate à gripe suína. A economia mexicana já enfrenta sérias dificuldades este ano. O PIB do México encolheu 1,6% no quarto trimestre de 2008 e a contração pode ter alcançado 4,2% nos primeiros três meses de 2009, segundo dados do banco central do país, divulgados no início de abril. Por enquanto, nenhum governo proibiu viagens ao México. Os visitantes estrangeiros acrescentaram US$ 13,3 bilhões à economia do país em 2008.