Natalia Pacheco e Luisa Girão, JB Online
RIO - A lei estadual batizada de Não Perturbe , que prevê a criação de um cadastro de clientes que não querem mais receber ligações de telemarketing, vai gerar 15 mil demissões em maio, segundo o presidente da Associação Brasileira das Relações EmpresaCliente (Abrarec), Roberto Meir.
O diretor do Sindicato Paulista das Empresas de Telemarketing (Sintelmark), Stan Braz, vai além e garante que de 20% a 30% da mão-de-obra do segmento perderão seus empregos até o fim do ano por causa da medida, em vigor desde 1º de abril.
Já há registros de demissões neste mês e a tendência é aumentar disse Braz, que destacou que o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, derrubou um projeto semelhante a este para impedir o crescimento de desempregados em Brasília no atual contexto econômico do país.
O presidente da Abrarec ressalta que a lei, criada pelo deputado federal, Rogério Ulysses (PSB), é inconstitucional já que abrange apenas um estado.
A medida tinha que partir do governo federal destacou Meir.
Atualmente, o setor é um dos que mais cria empregos no país, cerca de 1,2 milhão.
Mesmo com a crise financeira internacional, que vem causando demissões em massa, a expectativa era de 350 mil novos contratados no segmento em 2009. Dos 1,2 milhão de empregados, mais da metade se concentra apenas no estado de São Paulo. Por isso, a preocupação das entidades, que alegaram falta de diálogo entre o Procon SP e o deputado.
Procurado pela equipe do Jornal do Brasil , Rogério Ulysses, o assessor informou que o deputado está de licença médica.
Lei atendeu à sociedade
A diretora de programas especiais do Procon SP, Andréa Sanchez, conta que a proposta da lei surgiu com a pressão da sociedade, importunada com os abusos das empresas.
Não somos contra estas companhias, mas a atuação delas tem de ter limite ressaltou Andréa.
Desde quando a determinação foi aprovada, em dezembro de 2008, as empresas tiveram 90 dias para se adaptarem. O cadastro, feito através do site do Procon SP (www.procon.sp.gov.br), permite que os usuários registrem até cinco números de telefone que estejam em seu nome. Para saber quais são os números proibidos, as companhias de telemarketing também têm de se cadastrar. Até agora, dos 50 milhões de números fixos e móveis do estado, 180.791 pessoas, o equivalente a 312.268 linhas, e 753 empresas já se cadastraram.
A gerente de Negócios da Companhia de Telemarketing de São Paulo, Lurdes Alves, conta que muitas empresas pretendem demitir, principalmente aquelas cujo mercado é venda. Além disso, as propostas de contratos para promoções de produtos já registraram queda.
Antes, nós recebíamos 12 propostas por dia. Hoje, recebemos apenas uma diz.
O diretor da Comvoz, do Rio de Janeiro, Adriano Vedovi, afirma que as empresas no estado já avaliam as consequências da lei para as empresas de São Paulo e acredita que a solução será mudar a política de abordagem e ampliar o mercado.