Usiminas prevê queda de 12,5% na produção em 2009

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REUTERS - A Usiminas, maior produtora de aços planos da América Latina, está mais pessimista em relação a 2009 e espera um início de recuperação na demanda só a partir do último quarto do ano ante uma expectativa inicial de uma retomada já no segundo trimestre.

A companhia estima uma queda de 12,5% em sua produção de aço bruto em 2009 sobre 2008, para cerca de 7 milhões de t, "podendo ficar abaixo disso", afirmou nesta quarta-feira, o presidente-executivo da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco.

- Vai ser em torno de 7 milhões de t ou menos que isso. Vai depender das exportações. Está difícil exportar - afirmou o executivo referindo-se à produção anual do grupo que tem entre seus principais sócios a Nippon Steel.

Citando a freada brusca no PIB industrial do quarto trimestre de 2008, quando a produção do setor desabou 7,4% sobre os três meses anteriores, Castello Branco informou que trabalhava no início do ano com um cenário de melhora na demanda para o segundo trimestre, mas "provavelmente vai ser no quarto trimestre".

Os comentários foram feitos durante lançamento de marca unificada do grupo, hoje formado por nove companhias. A nova marca e a unificação sob o nome Usiminas exigiu 9 meses de planejamento.

Segundo Castello Branco, a Usiminas operou o primeiro trimestre deste ano a 50% de sua capacidade produtiva, contra níveis acima de 90% antes do agravamento da crise financeira internacional em setembro.

Com isso, a empresa, que emprega 30 mil funcionários, demitiu cerca de 700 empregados entre dezembro e o final do mês passado e Castello Branco não excluiu a possibilidade de novos cortes.

- Não tem receita econômica para sustentar isso, nós vamos fazer da maneira mais socialmente justa - disse.

A Usiminas está com dois alto-fornos parados em Ipatinga, Minas Gerais, e outro também parado em Cubatão, em São Paulo, por causa da brusca queda na demanda brasileira e internacional. A companhia detém 50% de participação no mercado de aços planos no Brasil. O produto é usado em setores como o automotivo, que também sofre os efeitos da crise de crédito.

- Vamos ter geração de caixa menor, mas vamos terminar os projetos que começamos - disse o executivo em referência ao equipamento laminador de tiras a quente em Cubatão e aos projetos de expansão de produção de minério de ferro para 10,5 milhões de t até 2010. A terceira usina do grupo que seria instalada em Minas Gerais, em Santana do Paraíso, segue com os planos suspensos.

- Não podemos entrar em uma aventura de US$ 5 bilhões sem ter visibilidade da demanda no longo prazo - afirmou o executivo. Ele rejeitou ainda rumores do mercado de que a Usiminas tenha se aproximado da ArcelorMittal para compra da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST).

Castello Branco afirmou ainda que os preços do aço pela indústria siderúrgica estão "no fundo do poço" em relação aos valores internacionais e defendeu revisão das tarifas de importação de aço no Brasil como forma de defender a indústria da concorrência asiática. Sobre a redução recente no juro promovido pelo Banco Central, o presidente da Usiminas afirmou que o corte "veio tarde".

- Houve um descuido, pouca percepção da realidade e a queda veio tarde (...) a prudência não pode ser confundida com inação e muitas vezes eu acho que o Banco Central é tão prudente que passa a ser quase inativo no caminho que ele poderia desempenhar para estimular a economia - afirmou Castello Branco.

A companhia segue com plano de investir em 2009 cerca de R$ 2,9 bilhões, ante gasto de R$ 2,1 bilhões em suas operações em 2008.