Luciana Collet, Jornal do Brasil
SÃO PAULO - O preço do ferro e do aço no mercado sucateiro caiu drasticamente a partir do segundo semestre do ano passado, a ponto de tornar o negócio inviável, seja para catadores, seja para depósitos, cooperativas e até empresas de processamento de sucata. Mas, para estas últimas, a solução tem sido pouco convencional: a exportação.
A RFR Reciclagem, uma das maiores empresa de processamento de ferro e aço do país, já embarcou 15 mil toneladas de sucata de ferro para China, Coréia, Índia, Paquistão e Vietnã. Os embarques, que começaram no fim de dezembro, têm sido ampliados mês a mês.
Em fevereiro exportamos 10 mil toneladas; em março, já temos fechados contratos para mais 10 mil, mas com certeza vai ser maior afirmou Marcos Fonseca, diretor da RFR. O setor no país não tem histórico de exportação, porque é um processo complexo. Não existe estrutura portuária para exportar a granel; temos de embarcar em contêiner, cujo frete é oneroso.
A RFR, que tem capacidade para processar até 40 mil toneladas de ferro e aço por mês, está operando com cerca de 50% de ociosidade, com produção de 22 mil toneladas por mês, das quais atualmente metade é embarcada.
Estamos faturando 30% do que faturávamos queixa-se Fonseca, ao revelar que caiu de R$ 20 milhões por mês para R$ 6 milhões mensais. Com a queda, a empresa reduziu em 25% o quadro de funcionários, dos 280 que mantinha.
A Trufer Comércio de Sucatas também informou que começou a exportar para compensar a queda no faturamento. Marcio Rodriguez, diretor da empresa, não revelou valores, mas disse que, em janeiro, as vendas caíram 70% em relação a janeiro do ano passado. Com isso, a empresa precisou cortar custos.