De acordo com os analistas da LCA Consultores, a aceleração dos preços agrícolas no atacado já era esperada, mas chamou a atenção na magnitude observada (de 1,56% para 3,24%), sendo que os principais destaques foram soja, açúcar cristal, milho, farelo de soja e açúcar refinado.
"Os preços do açúcar estão bastante pressionados, pois o setor hoje está com menor oferta e com a demanda aquecida (doméstica e internacional). O preço da cana-de-açúcar no atacado vem registrando importante elevação desde o último quadrimestre de 2008. Além disso, produtos que estavam com deflação em boa parte do segundo semestre de 2008, como é o caso do milho, têm demonstrado alguma recuperação ao início de 2009.
No entanto, os especialistas não acreditam que a inflação volte a subir pressionada por commodities agrícolas como ocorreu entre 2007 e 2008. "Contudo, por conta do combalido nível de atividade global, não esperamos que esta recomposição sinalize para uma aceleração nos patamares registrados entre o final de 2007 e o início de 2008".
Mas não foram só os agrícolas que influenciou o IPA, os industrializados também tiveram sua participação, segundo o economista do Banco Fator. "O IPA industrial provavelmente não vai apresentar mais deflação nos próximos meses, porém a sua variação deve ser bem menor do que a vista nos mesmos meses do ano passado, resultando numa variação menor em doze meses".
Já na ponta varejista, Gonçalves aposta em um alívio para o bolso dos brasileiro. "O fato da maioria dos grupos do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) ter apresentado variação menor em fevereiro indica que a inflação para o consumidor apresenta alívio, com exceção dos preços que ainda devem se reajustar baseados na elevada inflação passada", disse.
(Vanessa Stecanella - InvestNews)