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Políticas brasileiras diminuem efeitos

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SÃO PAULO, 27 de janeiro de 2009 - A crise econômica mundial é um tsunami para todos. Mas o Brasil deverá sair beneficiado da turbulência não porque será pouco afetado, mas porque outras nações sofrem ainda mais. A avaliação é do professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite. Segundo ele, o Brasil tem políticas econômicas fechadas que podem não ser muito boas para o desenvolvimento do País, mas que neste momento deixam a economia menos suscetível.

O especialista destacou que um dos fatos que mais afeta a economia estrangeira é a falta de crédito, liquidez e confiança. "Não que isso também não prejudique o Brasil, mas temos que considerar que o sistema bancário brasileiro é o menos alavancado, com relação crédito/patrimônio em 5%. Por exemplo, no Chile, o índice é de 14%, na Índia, 9,5%, no México, 9,3%, na China, 8,8% e na Rússia 5,4%. Segundo o professor, esses dados mostram que há pouco crédito disponível no País. "Isso não é bom. Porém, agora é positivo", destacou.

Segundo o professor, o volume de crédito no Brasil corresponde a apenas 40% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo 28% de crédito oficial, "vinculado ao mercado de crédito do setor público como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)". Além disso, o volume de crédito imobiliário é de apenas 2% do PIB. "Na Espanha, esse número chega a 50% do PIB", disse o professor.

Para ele, outro fator que assegura o sistema bancário brasileiro é o índice de Basiléia exigido (17,6%), acima do previsto pelo acordo entre bancos do mundo todo que é de 8%. Além disso, Alcides Leite lembrou que o País possui baixo passivo em moeda estrangeira. "A tendência, em momentos de crise, é que o capital estrangeiro volte para a base. O Brasil é pouco prejudicado por este movimento, já que possui apenas 11% do passivo em moeda estrangeira, enquanto a média mundial é de 34%", disse.

Por fim, o professor ressaltou a diversidade das exportações brasileiras. Segundo ele, 40% dessas exportações são para países desenvolvidos e 60% para não desenvolvidos. Sendo apenas 15% exportado para os Estados Unidos.

(Carina Urbanin - InvestNews)